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terça-feira, 10 de março de 2015

Tipos de aviões de ataque - Funções específicas

Existindo uma série de aviões de ataque e bombardeiros, pra que serve cada um deles ? Atacar alvos no solo, claro ! mas especificamente um guerrilheiro ? um veículo ? um comboio ? um prédio cheio de terroristas ? uma ponte ? um complexo militar inteiro, como um porto ou uma base aérea ? uma cidade ? uma país inteiro ???
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Acima um Aerovodochny L 39 Albatros a serviço da Força Aérea Síria (SAA) dispara foguetes contra posições da FSA (Free Syrian Army) nas proximidades de Alepo em 2012.
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Começando dos menores para os maiores, os aviões de ataque e suas funções:
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COIN - Counter Insurgency (Contra Insurgências)
O EMB-312 Tucano acima, usado pela Força Aérea Peruana para o combate ao narcotráfico.
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O "Contra Insurgências" são aviões pequenos, leves e fácis de se manobrar, pois voarão baixo, tendo em vista que seus alvos principais são guerrilhas, traficantes, grupos terroristas, etc. A função de um avião COIN é a de conter esses grupos em suas ações, utilizando-se de canhões normalmente 12,7mm (0.50), foguetes e pequenas bombas.
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O norte americano Rockwell OV-10 Bronco (acima) foi desenvolvido na época da Guerra do Vietnam para que fosse utilizado contra os soldados norte vietnamitas em missões de COIN.
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Um avião de COIN entretanto pode ter dificuldades em enfrentar um grupo com artilharia anti aérea pesada ou veículos blindados, pois para isso necessitariam de um canhão mais possante e armas guiadas, daí entra o avião de apoio aéreo.
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Apoio Aéreo Cerrado
O avião de apoio aéreo mais famoso do mundo, o A-10 Thunderbolt II da USAF (acima), dispara um míssil guiado AGM-65 Maverick.
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O avião de apoio aéreo a tropas, ou "close air support" (apoio aéreo cerrado), é o tipo de avião indicado para a destruição de tanques, veículos de artilharia, canhões rebocáveis, etc. Normalmente para essa função é necessário um avião forte e robusto, mas com alta manobrabilidade e a capacidade de voar baixo. Os dois aviões de apoio aéreo mais comuns são os Fairchild A-10 Thunderbolt da USAF e os Sukhoi Su-25 fabricados pela URSS e pela Rússia, usados por cerca de 25 nações.
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 Dois Sukhoi Su-25SM da Força Aérea Russa disparando seus canhões duplos de 30 mm com munição perfuradora de blindagem.
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O armamento de um avião desse porte já é destinado a combater blindados, normalmente são utilizados canhões de grosso calibre, em geral 25, 27 ou 30 mm, além de foguetes, bombas, mísseis e bombas guiadas.
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Outro avião que todos acham que é um caça, mas é um típico avião de apoio aéreo é o McDonnell Douglas AV-8B Harrier II dos Fuzileiros Navais Aericanos (USMC). Esse avião de ataque, equipado com um radar multifunção, tem a vantagem da decolagem e pouso verticais (VTOL) e assim pode ser transportado a qualquer lugar do mundo a bordo dos navios de desembarque dos USMC.
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Gunship (sem definição em português)

Acima um gunship AC-130 disparando seus canhões.
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O "gunship", ou plataforma aérea armada, sem definição na língua portuguesa, é um tipo de avião desenvolvido, produzido e utilizado pelos EUA contra comboios militares. Essas plataformas são montadas em aviões do tipo C-130 Hércules e C-47 Skytrain, originalmente contruídos como cargueiros.

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 A gunship é dotada de uma série de canhões laterais, que normalmente diparam na diagonal, com o avião voando na posição inclinada, pois as rajadas devem atingir um comboio em solo. Normalmente são usadas armas de grosso calibre, como canhões de 20 até um obuseiro de 105 mm, porém dependendo de sua função, podem serem instaladas armas mais leves, como as de 12,7 (0.50) ou até as 7,62 mm (0.30).
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 A desvantagem das gunship e sua grande exposição ao fogo anti aéreo, pois tratam se de aeronaves barulhentas, grandes e lentas, que são facilmente detectáveis e visíveis. Por exemplo eu conheço o barulho de um Hércules antes dele aparecer, as vezes passam alguns da FAB aqui em cima de casa pois moro na rota de pouso do Aeroporto de Congonhas, usado tb pelo governo brasileiro.. escuto o barulho deles antes de que sejam visíveis dentre os edifícios... Assim as gunship devem voar sempre a noite e terem uma boa quantidade de aparelhos de defesa.
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 A Força Aérea Colombiana utiliza-se dos AC-47 Spooky (acima) contra o narcotráfico. Lá esses aviões são conhecidos como "Fantasma" devido a suas incursões exclusivamente noturnas.
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Interdição Aérea
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Na foto um Vought A-7 Corsair II da USN bombardeia uma ponte durante a Guerra do Vietnam.
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A interdição aérea consiste na destruição de vias de transporte, assim como pontes, estradas e ferrovias. Um avião com capacidade para transportar bombas guiadas já pode executar esse tipo de missão, dependendo do tamanho do alvo.
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O treinador/avião de ataque AT-6 Texan II lançando uma bomba guiada a laser GBU-12 de 500 libras.
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Com os novos "playmobil armados" como os AT-6 acima, dentre uma série de novos pequenos aviões com grandes armas, quase qualquer avião hoje pode ter a capacidade de interdição. A exemplo disso, o Air Tractor (abaixo), um avião agrícola de fabricação norte americana pode ser adaptado com um designador de alvos e até seis bombas guiadas de 227 kg.
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Mais um turbohélice armado, o AT-802U Air Tractor dos Emirados Árabes Unidos.
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A desvantagem desse tipo de avião está em sua velocidade, tendo em vista que o Air Tractor atinge 370 km/h. Para sanar o problema da velocidade, desde a II Grande Guerra batalhamos em um atacante mais rápido, ou mais difícil de ser abatido.
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 Aviões como o Junkers Ju-87 Stuka acima e o Ilyushin IL-2 Shturmovik, ambos usados nos anos 40 durante a 2° Guerra são ainda mais rápidos que o Air Tractor, em mesma função, porém se expondo mais devido a seus armamentos primitivos.
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Nosso AMX abaixo, também é um típico avião de interdição aérea, porém mesmo com seus 914 km/h de velocidade máxima, ele ainda é um alvo fácil, pois o armamento anti aéreo atual pega até caças de mach 2.5 (2.655 km/h) ou ainda mais rápidos.
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O AMX da FAB é atualmente nosso maior e mais poderoso avião de ataque. Mesmo com a chegada dos novos multifuncionais Gripen, que poderiam a vir substituí-los, novos armamentos e eletrônicos a serem instalados nos AMX, os manterão ativos em sua função ainda por muito tempo.
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F-15E da USAF derrubado na Líbia em 2011.
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A solução da velocidade, nos aviões de interdição, vem sendo superada a cada novo armamento anti aéreo, assim durante os anos 80 os EUA projetaram e construíram o F-117 Night Hawk, de concepção furtiva, ou seja, de baixa visibilidade pelos radares adversários, entretanto, assim como os F-15 de mach 2.5 podem serem abatidos, o stealth também pode, como foi na Guerra da Iugoslávia nos anos 90.
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O Typhoon da Luftwaffe com dois mísseis cruzadores KEPD 350 Taurus.
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A solução atual para manter a sobrevivência dos aviões de ataque são os mísseis de longo alcance, como por exemplo o míssil KEPD 35 Taurus, produzido em um consórcio europeu envolvendo a Alemanha e a Suécia. O Taurus age exatamente como o míssil naval americano Tomahawk ou o estratégico russo Kh-55, porém ele pode ser lançado de pequenos aviões, como o Typhoon, Tornado, Gripen e até pelos F/A-18 Hornet. Esse míssil europeu não tem o alcance dos usados pelas superpotências, mas pode destruir um grande prédio a 500 km de distância utilizando se de uma ogiva de 450 kg.
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Ataque massivo
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 O ataque massivo é a utilização de uma grande quantidade de aviões de ataque em uma mesma missão, para destruir um alvo bem protegido ou um grande complexo militar.
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A imagem acima mostra a destruição de um complexo militar na Líbia após um ataque massivo realizado pelos aviões da OTAN.
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Uma missão com uma grande quantidade de aviões realmente chama mais atenção dos radares inimigos, porém devido à grande quantidade de armas utilizadas, uma eventual perda não afetará a conclusão da missão.
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Esse tipo de ação é realizada por outros países além dos países que integram a OTAN, porém o custo de uma operação dessas é alto, assim quando é realizado um ataque massivo, com uma grande quantidade de aviões, normalmente os EUA pedem auxílio à OTAN para que outras forças aéreas participem também da mesma missão.
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No fim da operação Tempestade no Deserto, o "estranho no ninho" aparece na foto. O Tornado IDS da RAF (no topo da foto) ao lado dos aviões norte americanos utilizados no conflito contra o Iraque.
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Bombardeiros
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 A prática de bombardear uma cidade toda, infelizmente é uma das grandes desgraças de uma guerra. Esse tipo de ataque aéreo se iniciou na 2° Grande Guerra, quando as nações já dispunham de algum armamento pesado similar ao que ainda é utilizado hoje.
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Acima a foto clássica tirada em Berlin, logo após a rendição da Alemanha, quando a população civil retorna a uma cidade que foi arrasada por ataques aéreos.
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Aviões de combate ou aviões de ataque são relativamente pequenos para transportar tanta carga bélica assim. Um F-15E Strike Eagle (acima) é o caça que mais transporta armamento, podendo decolar com uma carga extra de até 11 toneladas, mas jamais usa isso em missão real, pois além do peso e o comprometimento do alcance, o avião torna-se subsônico devido ao arrasto aerodinâmico gerado por tantas bombas. A carga normal de combate, para missões de curto alcance de um F-15E é de 5 bombas de 907 kg (imagem acima).
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A solução é um avião maior, o bombardeiro, pois esse pode transportar uma quantidade muito maior de armas, como o B-2 Spirit, acima por exemplo, com a capacidade de transportar em missões normais, 16 bombas de 907 kg em seu carregador interno.
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Na foto o Tu-22M3 lançando bombas FAB-3000 de 3 toneladas cada.
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No passado várias nações chegaram a utilizar-se de bombardeiros, porém hoje com o fim da Guerra Fria e de um possível conflito de âmbito global, esses aviões foram aposentados e sucateados, hoje além dos EUA só a Rússia e a China mantém ainda alguns bombardeiros pesados em serviço.
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A bomba americana GBU-57A/B MOP acima, lançada por um B-52, é dentre todas armas aerotransportadas atuais a mais pesada, com 13.608 kg. Essa bomba é uma perfuradora de concreto que substituirá a GBU-28 em locais onde o alvo subterrâneo é muito profundo. Devido ao seu alto custo, a USAF encomendou somente 20 bombas dessas.
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A perfuradora de concreto MOP é mais pesada, porém não a que possui maoir poder de destruição. Uma arma similar em aspecto à MOP é a bomba termobárica MOAB acima, também desenvolvida pelos EUA, porém o diferencial é que a MOAB pesa 8.500 kg, mas sua ogiva rende o mesmo que uma equivalente de 11 toneladas, tudo devido ao seu conteúdo explosivo, que rende mais que seu próprio peso em TNT. a MOAB é a bomba convencional (não nuclear) mais forte já criada e produzida pelo ocidente.
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A bomba aerotransportada (não nuclear) mais forte construída pelo homem é a ATBIP russa, ou АВБПМ (Авиационная вакуумная бомба повышенной мощности) em russo,que siginifica: bomba termobárica aerotransportada de maior potência. Seu peso é de 7.100 kg, mas seu rendimento é equivalente a 44 toneladas de TNT ou mais de 5 MOABs juntas.
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A ATBIP foi testada em 2007 em um lançamento à partir do bombardeiro estratégico supersônico Tupolev Tu-160 e suspeita se que até hoje cerca de 100 delas tenham sido produzidas. Como é um tipo de bomba que possui um formato "fora de padrão" ela talvez seja transportada apenas pelo Tu-22M3, pelo Tu-95MS e pelo Tu-160, diferentemente da MOAB americana que é transportada e lançada pelos Hércules dos USMC.
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Entretanto nem a possante ATBIP é o suficiente para destruir uma cidade inteira, pois seu raio de ação é cerca de 300 metros, sendo assim eficiente apenas contra uma grande instalação fortificada como o Pentágono por exemplo. As armas mais possantes são as nucleares, essas sim possuem poder de fogo para destruir uma cidade por inteiro e até um pequeno país.
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Escrevi sobre esse tipo de avião e os tipos de armas na matéria sobre os bombardeiros estratégicos, onde cito além do Tu-160 acima, os outros modelos em seviço na atualidade. Para o ver acesse Bombardeiros Esratégicos
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2 comentários:

  1. O AMX não é, e nunca foi um alvo fácil! Basta dizer que no conflito da Iugoslávia e agora do Afeganistão cumpriu e tem cumprido suas missões com altíssimo índice de eficiência e precisão. O motivo é a capacidade de contra-medidas eletrônicas do avião (ECM) extremamente eficiente e confiável. Vejam que até o B-1 foi derrubado na Iugoslávia o AMX nunca foi! Tornados, Harriers, F-16s, F-18s, todos sucumbiram aos mísseis Iugoslavos! O AMX não! Informe-se e verá!

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  2. Galvam, por acaso sabes quantos B-1 e quantos AMX participaram na Iugoslávia ? E quantas missões ??? e os locais por onde ele passou ? será que foram os mesmo ? derrubaram até F-117 na Iugoslávia... é difícil esse tipo de comparação... Mas o AMX é facim de ser derrubado sim, é só mandar um Igla na traseira dele. Vc já viu a merreca de 'flare' que ele libera ?
    Tenho um amigo reservista da FAB que já voou o AMX ! Inclusive esse meu colega voou com ele para o salão aéreo no Chile.

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