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quinta-feira, 5 de março de 2015

Tipos de avião de ataque

 Em teoria quase qualquer avião militar pequeno, que tenha certa manobrabilidade e possa executar vôos a baixa altitude serve para ser um avião de ataque. A República Checa por exemplo, utiliza-se da mesma fuselagem do treinador soviético L-39 para seu mais recente avião de ataque, os L-159 Alca (abaixo), fabricados pela Aero Vodochny.
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Seu predecessor, o L-39 Albatros de treinamento, é hoje um dos aviões a jato mais usados em acrobacias aéreas, devido à sua confiabilidade e capacidade de manobra, assim o aproveitamento dessa mesma fuselagem fez com que a Rep. Checa economizasse em um programa de desenvolvimento de um novo avião ou pior, que viesse a adquirir um modelo estrangeiro.
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O Brasil quando necessitou substituir seus velhos AT-26 Xavante por um novo avião de ataque, decidiu-se por seguir uma idéia de projeto diferente, chamando a Itália em uma parceria, para o desenvolvimento de um novo avião, o resultado foi o AMX Internacional (acima) que ainda é utilizado por ambos países. Mesmo tendo sido desenvolvido de outra forma, o AMX ítalo/brasileiro e o Alca checo são aviões de função e desempenho similar.
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Contudo o AMX, ou Ghibli como é conhecido na Itália (acima) é subsônico, assim como o Alca, nessas condições ambos são mais vulneráveis a ameaças anti aéreas que um modelo supersônico, principalmente a artilharia e a sistemas de mísseis que demandam de um tempo para lançamento.
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A solução é um avião de ataque de alta velocidade e precisão. Durante muito tempo todos países no mundo correram atrás desse tipo de avião, ou para compra ou para o desenvolvimento e produção, como ocorreu no caso da antiga Iugoslávia com seu Soko Orao dos anos 80 (abaixo):
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O Orao que se assemelha a um mini Jaguar, com a frente de um A-5 Fantan, porém possui o desempenho pouco acima do nosso AMX, não conseguindo manter o vôo supersônico nivelado. Em mergulho o pequeno atacante iugoslavo atinge cerca de 1305 km/h, assim ele não é considerado um avião de ataque supersônico.
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Nas grandes potências da Guerra Fria, os aviões de ataque supersônicos apareceram na década de 50, quando produziam-se em grandes quantidades os Republic F-105 Thunderchief nos EUA e os Sukhoi Su-7 (acima) na URSS, ambos com capacidade de vôo a mach 2.0.
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Asas de Geometria Variável
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Com as experiências de guerra, os aviões de ataque foram se aperfeiçoando, por exemplo com a introdução de asas de geometria variável como as do Sukhoi Su-22 acima.
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 A asa de geometria variável diminui a resistência aerodinâmica causada nos bordos de ataque durante altas velocidades, permitindo assim que o avião possa atingir uma velocidade maior. Devido a sua maior sustentabilidade, os aviões munidos de asas com geometria variável, em sua maioria possuem um maior alcance que suas versões de asas fixas.
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O sucesso desse tipo de avião foi tamanho que a URSS na época necessitava de aviões baratos e eficazes, desenvolveu o MiG-27 (acima), um modelo de avião de ataque com aviônicos simplificados, porém de alto desempenho, assim como o Su-22. Esse modelo foi largamente produzido para exportação, já que um equipamento simples pode ser produzido mais rapidamente e em maiores quantidades sem apresentarem falhas.
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Entretanto esses modelos de aviões de ataque, pequenos e monomotores, são limitados na capacidade de transportar grandes mísseis cruzadores, assim durante os anos 80 foram produzidos os Sukhoi Su-24 acima, que podem transportar além das armas convencionais, mísseis cruzadores nucleares, como o Kh-59 Ovod que aparece na foto acima, montado no cabide fixo de asa.
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 O Su-24 é muito parecido em desempenho ao seu concorrente europeu Tornado IDS acima, similar também ao aposentado F-111 da USAF.
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O último dos grandes aviões de ataque introduzidos em serviço foi o Xian JH-7 acima, usado somente pela PLAAF.
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Tupolev Tu-22M3
Em meio a uma salada de nomes e "M"s aparece o Tu-22M3 acima, esse avião singular, derivado do bombardeiro estratégico supersônico Tu-22M da época da Guerra Fria. O Tu-22M3 é a última versão de uma família polêmica de aviões criadas na época da URSS com a intenção de burlar os tratados de redução de armas de destruição em massa.
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Começa pelo seu nome, o mesmo empregado em um modelo anterior, o Tupole Tu-22 acima. O Tu-22 veio antes do Tu-22M, mas seu projeto não deu origem ao projeto do Tu-22M... ambos são aviões com mesma função porém o Tu-22M é totalmente diferente.
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 O primeiro dos série "M" foi o Tu-22M (acima), com a sonda de reabastecimento fixa, assim como era montada no Tu-22 anterior. O diferencial desse modelo totalmente distinto eram suas asas de geometria variável e o design de um caça, que lhe permitiam velocidades de mach 1.8.
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 Seu sucessor, dos anos 80, o Tu-22M2 acima, teve essa sonda embutida em seu longo radome e recebeu a implantação de um carregador rotativo interno para transportar armas de destruição em massa, assim como os EUA faziam em seus B-52 Stratofortress.
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Nesse carregador rotativo podem serem instalados oito mísseis nucleares, dos modelos Kh-15, hipersônico de curto alcance ou os Kh-55 tipo cruise, subsônicos mas de longo alcance. Esse tipo de avião é limitado pelos tratados de limitação e redução de armas estratégicas START, assinado e atualizado sempre pelos EUA e pela Rússia.
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 Nos aviões mais recentes (Tu-22M3) esse carregador rotativo foi retirado, mas a baia de armas continua... Normalmente os aviões vistos nos "openhouse" promovidos pela Rússia essa baia é carregada com bombas, mas nada impede que sejam novamente instalados os carregadores rotativos.
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A sonda de reabastecimento também foi retirada para que o avião não fosse classificado como "bombardeiro estratégico", mas assim como seu carregador rotativo de mísseis, essa sonda pode ser rapidamente re-instalada nos aviões atuais.
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O "M3" também recebeu as entradas de ar no estilo de "cunha" assim com as usadas nos MiG-25, para que seu desempenho subisse a cerca de mach 2.0 ou 2.08 como algumas fontes relatam. Isso é a velocidade de um caça Gripen ou cerca de 10% mais rápido que um Rafale ou um F/A-18 Hornet.
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Dificil e controverso de ser catalogado, pois ele tem a velocidade de um caça, pode ser armado como um bombardeiro estratégico e mesmo sem ser reabastecido em vôo, possui um alcance cerca de 20% a mais que o bombardeiro estratégico chinês Xian H-6. Acredito eu, mesmo que fora de padrão, que o Tu-22M3 possa ser classificado simplesmente como os aviões de ataque supersônico que comentei antes aqui nessa postagem.

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