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quinta-feira, 5 de março de 2015

Aviões de ataque

Bombardeiro, caça bombardeiro ou avião de ataque ?
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Todo caça praticamente pode transportar bombas ou foguetes de ataque ao solo, como o Northop F-5 da USAF na antiga foto acima, esse tipo de avião é conhecido como caça bombardeiro. O Brasil utiliza-se do F-5, mas não como bombardeiro e sim como interceptador, afinal encher um avião pequeno, sem muita potência de motor, de baixa velocidade e sem aparelhagem de mira é realmente um disparate !
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Mesmo não sendo sua função principal, qualquer caça pode ser um caça bombardeiro, como o Raptor da USAF acima, projetado para combates aéreos e defesa do espaço aéreo dos EUA.
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Bombardeiro
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O bombardeiro faz como o caça bombardeiro, despeja sobre o alvo uma carga de bombas, como esse Martin B-57 Canberra (acima) usado na Guerra do Vietnam. Esse tipo de avião lento só atingia cerca de 960 km/h e tinha que voar sobre o alvo para despejar suas bombas.
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Os antigos Canberra deixaram a USAF em 1983, após uma série de perdas para os misséis soviéticos em suas missões de reconhecimento e durante o combate no Vietnam, porém ainda são usados pela NASA como aviões de pesquisas (acima).
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Como os Canberra, os Ilyushin IL-28 acima, hoje só é usado apenas pela Coréia do Norte, na URSS o avião foi retirado nos anos 80, em favor de atacantes modernos como os Sukhoi Su-24, que são supersônicos e podem transportar mísseis ar-ar para auto defesa (8 km).
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Nos EUA, os bombardeiros subsônicos deixaram o serviço em 1997 com a retirada dos Grumman A-6 Intruder (acima) utilizados pela USN desde a Guerra do Vietnam. Esse tipo de avião é bom para destruir cidades, porém em campo de batalha, são lentos e de baixa manobrabilidade, ficando assim muito sucetíveis a serem abatidos.
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Bombardeiro supersônico
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 O norte americano F-150 Thunderchief, acima, é um exemplo de bombardeiro supersônico da Guerra Fria.
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O bombardeiro supersônico F-105, usado também no Vietnam, faz a mesma função do Canberra, do IL-28 e do A-6 Intruder descritos acima, porém pode atingir velocidades de até mach 2.08, ou seja, mais rápido que o Saab Gripen e o F-35 Lightning II que são caças multifucionais atuais.
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 Os F-105 Thunderchief da USAF, em formação, lançando suas bombas sobre um alvo durante a Guerra do Vietnam (1967 - 1973).
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Avião de ataque
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 O AMX usado pela FAB, acima, é um dos nossos aviões de ataque. Mesmo não atingindo velocidades supersônicas, ele pode executar missões de bombardeio e de ataque.
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 O avião de ataque é um bombardeiro especializado, isto é, em vez de lançar suas bombas do alto, em vôo nivelado, tentando fazer com que a maioria delas caia sobre o objetivo desejado, os aviões de ataque executam manobras para direcionar melhor sua mira, se expondo menos à ameaças anti aéreas, consequentemente economizando aviões, munição e o mais importante, a vida dos tripulantes.
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 Hoje os aviões de ataque funcionam como esse MiG-23BN (imagem acima) utilizado pela Força Aérea Síria em 2014, durante os conflitos da Guerra Civil Síria. O avião de ataque moderno pode lançar bombas sim, mas em menor quantidade e direcionadas com precisão até o alvo.
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 Acima um print screen de um vídeo da TV Síria, que achei no Youtube, essa imagem mostra um MiG-23 manobrando em vôo baixo pouco antes de acelerar para o ataque.
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 Acima, os F-105 em vôo padrão antes do ataque, alto e nivelado, mais expostos a vista e mais fáceis de serem derrubados, numa foto antiga durante um bombardeio no Vietnam.
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O MiG-23BN antes de iniciar o ataque se aproxima em baixa altitude, mas precisa ser manobrável o suficiente para fugir da artilharia anti aérea, ele utiliza-se de suas asas de geometria variável, aliadas a um possante motor, para acelerar o avião a velocidades acima de mach 1. Ambos são supersônicos, possuem desempenho similar e o F-105 transporta até mais bombas, porém o MiG-27 é muito mais eficaz no serviço
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Assim o MiG-23BN (acima), ataca sozinho, pegando seu adversário de surpresa, reduzindo o tempo de uma resposta anti aérea, como o acerto da mira de um canhão ou a montagem de um míssil do tipo MANPADS.
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Mesmo em vôo supersônico o MiG-23BN pode se inclinar para baixo e lançar uma única grande bomba de 1.000 kg, como no caso do MiG sírio, ou até foguetes, como na imagem acima, com precisão diretamente sobre o alvo em questão.
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Contudo falta ao MiG-23BN a capacidade de combate aéreo contra um caça. Como na foto acima, é possível ver que o MiG transporta até quatro mísseis ar-ar, porém são mísseis R-60, pequenos e de curto alcance (cerca de 8 km), que possuem pouca eficácia (ou nenhuma) contra os caças modernos.
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Rumo à multifuncionalidade
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O MiG-23BN e o MiG-27, são versões de ataque do MiG-23 de combate aéreo, assim para que a esquadra esteja completa, são necessários dois aviões, o de combate e o de ataque, assim como a França também fazia em mesma época:
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Nos anos 60, a França não dispunha de tanta tecnologia para produzir um avião de ataque específico, assim aproveitando-se da experiência obtida nos caças Mirage III, foi lançado o Mirage 5 (acima), um avião de mesma fuselagem e desempenho do caça, mas com aparelhagem de bombardeiro supersônico.
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 O Mirage 5 foi o pioneiro na utilização de uma mesma fuselagem para a função de ataque e para a de combate aéreo, mas assim mesmo a versão de ataque não era devidamente eficaz em manobras de ataque ao solo. Em no fim dos anos 60, a França se juntou à Inglaterra para o projeto do Jaguar (acima), que já deixou o serviço na Europa, mas ainda está ativo na Força Aérea Indiana e na Força Aérea de Oman. Na França o Jaguar foi substituído pelo Mirage 2000D e na Inglaterra pelo Tornado IDS.
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 O Panavia Tornado IDS acima, dos anos 80, é um avião de ataque supersônico com asas de geometria variável, assim como o MiG-23BN, porém o Tornado é um avião bem mais recente e com dois motores, que lhe proporcionam um maior alcance e mais capacidade de armas. O Tornado possui também uma versão de interceptação e um destinado à supressão de defesas.
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 O Mirage 2000D ou o 2000N da foto acima, também dos anos 80, são os modelos do Mirage 2000 de ataque, similares aos 2000C usados pela FAB até a pouco tempo atrás. O Mirage 2000N é um avião dotado de capacidade de ataque nuclear, utliziando-se de grandes mísseis cruzadores como o ASMP na foto acima.
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Multifuncionais
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Em meados dos anos 80 os EUA desenvolveram o F/A-18 Hornet (imagem acima), que em função substitui todos esses aviões descritos acima até agora ! Afinal o F/A-18 Hornet é um caça multifuncional, isto é, ele pode ser usado em missões de bombardeiro, ataque ao solo, anti-navio, supressão de defesas e para combate aéreo ! O mesmo avião, sem modificações ou complicadas asas de geometria variável.
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O IAI Kfir acima, é um Mirage 5 produzido em Israel nos anos 70 e 80. Originalmente um avião de ataque, os Kfir atuais em serviço na Colômbia (acima) e no Equador, possuem um radar multifunção, assim como o F/A-18 Hornet, que lhes dá a capacidade de atacar alvos de solo e simultâneamente vasculhar o espaço aéreo em busca de alguma ameaça.
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Dentre as montagens mais estranhas estão os bombardeiros táticos norte americanos Douglas A-4 Skyhawk. Os A-4 deixaram a USN no fim da Guerra Fria, porém esse avião de ataque subsônico ainda é usado pelo Brasil, pela Argentina e por mais alguns países pobres... o interessante é que em suas versões atualizadas, como o A-4AR Fighting Hawk argentino acima, o avião continua ainda subsônico, mas possui um radar multimodo Elta israelense que lhe dá a capacidade (?) de combate aéreo.
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 A idéia hoje é a utilização de aviões com o o Gripen (acima), que são supersônicos, podendo ultrapassar mach 2 (se voando "limpos"), sendo eficazes tanto em missões de combate ou interceptação como em missões de ataque ao solo ou anti-navio.
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O "multifuncional" economiza em:
1° Projeto e desenvolvimento, entre um ou dois aviões;
2° Testes de vôo;
3° Custos e tempo de produção;
4° Peças, que ficam mais baratas se produzidas em larga escala;
5° treinamento de pessoal, tanto pessoal de apoio técnico e mecânico como pessoal operacional, como pilotos e operadores de sistemas;
6° Quantidade de aviões em na linha de frente;
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Será que num futuro em breve não veremos mais aviões de ataque em específico ?
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A USAF, a maior, mais moderna, poderosa e principalmente avançada força aérea do mundo já desativou todos seus F-117 Nighthawk acima em 2008. O F-117 foi o último dos aviões de ataque especifico produzidos pelos EUA, sem nenhuma capacidade de combate aéreo, contando apenas com sua furtividade e muita sorte para não ser abatido. Todos aviões de combate produzidos hoje nos EUA são multifuncionais.
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Nos países europeus, o PANAVIA Tornado deixou de ser fabricado em 1998, com a introdução do multifuncional Typhoon (acima). Alguns Tornado ainda são mantidos em serviço, porém o desenvolvimento de novos mísseis compactos farão com que um dia o Typhoon venha a substituir todos os Tornado atualmente em serviço.
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 Na França, a família Mirage todos aviões de ataque e de combate serão substituídos pelos Rafale (acima), não só os atacantes Mirage 2000D e Mirage 2000N, mas os Mirage 2000C de combate, os F1 (inteceptadores) e os Super Etendard de ataque naval. O Rafale foi o primeiro multifuncional europeu, como ele é de mesma época do norte americano F/A-18 Hornet, ambos possuem a mesma velocidade máxima (mach 1.8), ou seja, relativamente mais lento que o Gripen mach 2.0, o Typhoon mach 2.0, o Sukhoi Su-30 mach 2.3 e que o F-15E Strike Eagle 2.5.
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Dos Tops para ataque, os EUA utilizam-se de seus F-15E Strike Eagle acima, o mais rápido dentre todos multifuncionais, capaz de mach 2.5. O F-15E é um avião tão eficiente e confiável que sua produção se iniciou antes do F-22 Raptor, nesse ínterim vieram os F-11 Nighthawk e foram aposentados, os F-22 tiveram um repentino encerramento da produção... e o F-15E continua a ser produzido... isto significa que...
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A resposta russa ao F-15E é o Sukhoi Su-30 (acima), um avião ligeiramente mais lento (mach 2.3), porém possui uam taxa de subida bem mais elevada, uma capacidade de manobra melhor e mais mísseis ar-ar. O Su-30 também poderá transportar no futuro armas supersônicas de longo alcance, como o Brahmos e o Onix, mísseis cruzadores de mach 3, praticamente impossíveis de serem abatidos em vôo.
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A tendência hoje é a de utilizar aviões mais econômicos, assim como um multifuncional substitui dois aviões convencionais (o avião de ataque e o de combate aéreo). Todo avião lançado mais recentemente é multifunção, desde enormes Sukhoi Su-34 até pequenos "contra insurgentes" como o norte americano Beechcraft AT-6B acima, que concorre com nosso Super Tucano e também pode ser armado com mísseis ar-ar.
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