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sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Moderna Força Aérea Russa

Como é a tendência mundial em todas as forças aéreas mundo afora, o programa de reorganização e atualização da Força Aérea Russa pretende além da reforma e redução de suas aeronaves, o emprego de aviões multifuncionais como o MiG-29M2 acima, esperado ainda esse ano.
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A VVS agora para 2015 pretende manter seu cronograma de reforma, planejado antes do embargo à Rússia. O programa de reformulação e atualização, que se deu início em 2008, após 16 anos de estagnação, vem mostrando seus resultados só agora em 2015, com novos aviões e modelos antigos totalmente atualizados.
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Na foto acima, dois multifuncionais Su-30SM em janeiro de 2015.
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Bem diferente do Brasil, que possui cerca de 20 a 30 aviões necessitando de atualizações, a Rússia tem cerca de 400 a 500 aviões a serem modernizados.. considerando que o país está sob embargo, possui um PIB abaixo do brasileiro e também tem políticos ladrões.. essa reforma vai exceder o ano previsto de 2020 certamente.
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Aviação de combate
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Dentre os mais espetaculares novos aviões da Força Aérea Russa está o caça Su-35S, o Top Gun da Rússia. Assim como o Su-30SM, o Su-34 e o Su-27, o 35S utiliza-se da fuselagem básica T-10 desenvolvida nos anos 80, mas é equipado com um radar que lhe permite tanto o combate aéreo como o ataque a alvos em solo.
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O Sukhoi Su-30SM (foto acima), o caça multifuncional pesado russo que concorre com o norte americano F-15E Strike Eagle.
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A reforma e atualização dos caças segue-se nos Su-27, para o padrão Su-27SM de 2008 (acima) e
nos MiG-29 para o padrão SMT (acima). Essa atualização permitirá que caças puros tornem-se aviões multifuncionais, de combate aéreo e ataque ao solo, como é realizado hoje em grande parte dos aviões da USAF.
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Como a Rússia não dispõe de um treinador supersônico padrão como a USAF tem o T-38, alguns MiG-29UB foram atualizados também:
O MiG-29UBM (acima), voando junto a um SMT monoplace, é bem diferente da nova versão da Marinha Russa, pois o mais recente Mig-29KUB é uma aeronave totalmente nova e com plena capacidade para combate e ataque.
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 O KUB acima possui uma aparelhagem similar ao Mig-29M2, previsto para ser entregue à VVS ainda esse ano. Ambos são similares ao F/A-18F Super Hornet e ao Eurofighter Typhoon tanto em desempenho como em categoria.
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O UBM (ou UBS) acima é um avião de uso exclusivo para treinamento.
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A tendência russa é seguir o exemplo da Royal Air Force e da Luftwaffe, que hoje em dia utilizam-se apenas de aviões multifuncionais e aviões de ataque, abandonando de vez a idéia de manter vários caças puros.
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A força de combate russa é alertada pelos Beriev A-50 Shmel, um avião de AEW & C similar ao nosso E-99 usado pela FAB. O novo modelo (fotos acima e abaixo) A-50U é totalmente computadorizado e pode localizar caças adversários a mais de 300 km de distância.
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A VVS dispõe hoje de 26 A-50 e 3 A-50U, sendo que sua produção ainda não se encerrou.
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Os aviões de alerta são complementados pelo MiG-31BM, o MiG-31B melhorado, equipado com um radar mais recente, sensível e capaz, além de um sistema de compartilhamento de dados Argon-K, que possibilita o auxílio e controle de outros caças monopostos.
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Em teoria, quatro MiG-31BMs cada qual com a capacidade de localizar um caça a 320 km de distância, pode rastrear simultâneamente 24 alvos, assim o sistema Argon filtra e soma os dados obtidos pelos 4 aviões e os repassa ao demais aviões de combate.
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Se reabastecidos em vôo uma vez, os MiG-31BM tem o mesmo alcance de um Beriev A-50, podendo assim cobrir a mesma área.
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Para treinar todo novo pessoal, a VVS sem mais o fornecimento dos treinadores tchecos, optou pelo seu próprio treinador. Porém a Rússia não é como os EUA, assim em vez de duas opções (treinador básico e treinador avançado), o Yakovlev Yak-130 faz as duas funções, sendo um treinador padrão assim como é ainda o L-39 tcheco.
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O Yak-130 possui tecnologia suficiente para treinar pilotos de caças de 4°, 4,5° e até de 5° geração, inclusive eletrônicos compatíveis a caças ocidentais, pois seu desenvolvimento foi conjunto com seu irmão mais novo o italiano Aermacchi M-346 Master, que é usado por Israel, Polônia e encomendado por Singapura, além claro da Força Aérea Italiana.
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Aviação de ataque
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A Força Aérea Russa assim como a PLAAF e a USAF são as três únicas forças aéreas do mundo a terem uma divisão estratégica, isto é, a divisão dos bombardeiros de longo alcance. Grande parte da frota dos bombardeiros russos são modelos derivados dos soviéticos, contruídos em meados dos anos 90. Apenas 8 aviões novos foram entregues de 2003 até hoje.
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O bombardeiro estratégico Tu-160 (acima) vem sendo revisado e atualizado para o padrão de 2010, assim como o último entregue até agora, o avião da foto acima, chamado de "Vitaliy Kopylov". Desde 2010 mais nenhum foi entregue, porém dos 16 em serviço, 8 são novos e 2 passam por reformas.
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O Tupolev Tu-22M3 (acima) também está passando por atualizações. Seu novo padrão M3M lhe permitirá a utilização de novas armas, como os novos modelos de mísseis ar superfície em uso pela Rússia.
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O Kh-59 Ovod é um míssil cruzador de baixo custo produzido pela Rússia desde a queda da URSS. Seu desempenho é baixo, mas com alcances variando de 200 a 285 km, o Kh-59 não expõe a tripulação do bombardeiro à ameaças convencionais, levando em consideração que hoje poucos sistemas de defesa anti aérea ultrapassam 200 km.
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A nova arma também é utilizada pelo bombardeiro tático Su-34 (foto acima), que possui a capacidade de vôos a longas distâncias e um radar multimodo, que lhe permite também a função secundária de caça/interceptador.
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Apesar de não ser mais utilizado pela USAF desde 1996, o avião de combate do tipo "bombardeiro tático" ainda é largamente usado pelo mundo todo, inclusive pela Rússia. Esse tipo de avião, característico da Guerra Fria, visava unicamente o ataque ao solo, sendo praticamente indefeso contra caças, mesmo que pequenos como um F-16. O Su-34 pode não só se defender como entrar em combate contra não só o F-16 com a maioria dos caças atuais.
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Hoje a USAF emprega apenas caças puros ou caças multifuncionais, a Rússia como o restante do mundo ainda emprega o bombardeiro tático supersônico Sukhoi Su-24M (acima e abaixo), que em sua última versão, a M2, pode transportar qualquer míssil tático em serviço atualmente na Rússia.
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O Su-24M2 acima, pode executar missões de bombardeiro, de ataque com foguetes ou mísseis, tanto táticos como cruzadores além de missões antinavio ou de interceptação de alvos "não combatentes", como outros bombardeiros, aviões de patrulha e guerra eletrônica, helicópteros em geral e aviões de transporte.
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Acima dois mísseis ar ar Vympel R-60 montados no suporte de armas de um Sukhoi Su-24M. O R-60 é um míssil guiado por IR, do tipo "dispare e esqueça", assim ele pode ser lançado por aviões não  necessariamente caças de combate ou interceptadores.
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O Sukhoi Su-25 é o avião de apoio aéreo russo usado desde a Guerra URSS vs Afeganistão nos anos 80. O avião ficou famoso por ser extremamente eficaz em sua função, assim além de ser usado pela Rússia e demais nações da URSS, o Su-25 foi vendido para várias outras nações no mundo.
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Sua última versão, atualizada, é o Su-25SM (ambas fotos acima), em suas versões monoplace e biplace. O Su-25 não possui similares europeuos, sendo que seu único similar é o norte americano Fairchild A-10 Thunderbolt II.
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O apoio as tropas de solo é complementado por uma série de helicópteros armados, como o Kamov Ka-52 abaixo:
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O K-52 Alligator descende do Ka-50, dos anos 90, o primeiro modelo da Kamov desevolvido exclusivamente para ataque. Em sua configuração diferente, os pilotos sentam-se lado a lado, enquanto em todos outros helicópteros de combate os pilotos ficam em tandem. A VVS conta hoje com 71 ativos e + 134 Ka-52 encomendados.
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Num estilo mais tradicional, a VVS utiliza o Mi-28, o halicóptero de ataque russo que se equivale ao Apache norte americano e ao Tiger europeu. O Mi-28 é um projeto soviético, porém só foi introduzido em serviço recentemente, em 2009. A VVS possui atualmente cerca de 70 helicópteros Mi-28, de um total de 100 encomendados.
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A Força Aérea Russa usa também o Mi-35, o nosso AH-1 Sabre. O modelo de helicópteros misto de ataque e de assalto foi usado com sucesso na Guerra URSS vs Afeganistão nos anos 80, assim em sua última versão, o Mi-35M o "tanque voador russo" volta a dar as caras equipado com um canhão fixo de 30 mm acima ou móvel de 23 mm abaixo:
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Ao todo a VVS dispõe hoje de cerca de 300 helicópteros Mi-24 antigos + 34 novos, iguais aos das fotos acima. A encomenda desse modelo é pequena, pois espera-se por somente mais 19 unidades a serem entregues.
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O Mi-17/171 não é necessáriamente um helicóptero de ataque, mas sim um helicóptero de assalto armado. Esse modelo deriva-se do Mi-8 cargueiro por possuir radar, sensores de visão noturna e suportes para armas, além de blindagem lateral para os pilotos.
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Cerca de 300 helicópteros desses estão em serviço hoje nas Forças Armadas da Rússia, a VVS tem ainda 123 encomendados.
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Guerra eletrônica
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A algum tempo a Força Aérea Russa vem empregando aparelhagem eletrônica em aviões turbo-hélice, como o Antonov An-26RT abaixo:
O avião é o cargueiro básico equipado com aparelhagem de ELINT (escuta eletrônica). Um avião similat nosso seria o Embraer R-99, porém o nosso utiliza-se da mesma fuselagem de um jato executivo.
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Da mesma forma que o An-26RT, o Ilyushin IL-20M abaixo também é um modelo de avião montado a partir de uma célula básica IL-18 com o diferencial de ser equipado com sua gama de aparelhos eletrônicos e carenagens dielétricas.
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Na espera da entrada do Tu-214R em serviço, todos IL-20M da VVS devem passar por atualizações, já que esse avião é o úníco modelo montado como uma plataforma multifunção de reconhecimento eletrônico usado pela Rússia.
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Na Rússia os aviões de patrulha naval não são são mantidos pela Força Aérea como aqui no Brasil, assim os reformados ILyushin IL-38N (acima) são de propriedade da AVMF, a Aviação Naval Russa.
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Dentre todos aviões novos a entrar na VVS o mais curioso talvez seja o IL-96 400T com uma carenagem dielétrica ventral, na parte da raiz da deriva. O avião talvez venha a ser um novo posto de comando como os IL-87VKP do governo ou uma nova proposta para ser testada junto ao Tu-214R que segue seu cronograma com atraso devido a alguns problemas.
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Aviação de transporte
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O Antonov An-124-100 construído na época da URSS também passa por reformas para o padrão An-124-100M:
Desde o fim da URSS a Rússia não recebeu mais desses cargueiros, assim os Antonov em serviço passam por atualizações na fábrica de Ulyanovsk. Ainda faltam reformar 20 desses super cargueiros com capacidade para 150 toneladas de carga.
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O Ilyushin IL-76MD-90A é o sucessor do IL-76 antigo, produzido nos anos 80 pela URSS e nos anos 90 pela Rússia. O novo modelo MD-90MA possui além dos novos motores, um sistema eletrônico de vôo totalmente novo, sendo similar somente em aparência aos antigos IL-76. Ele está na categoria entre 55 a 60 toneladas de carga.
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O cargueiro leve Antonov An-72 acima, também passou por algumas reformas, já que esses utilizados pela Rússia são ainda remanescentes da URSS. O An-72 é projetado para cargas de até 10 ton.
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Reformados recentemente, alguns dos Antonov An-12 (abaixo) receberam a nova pintura padrão cinza escuro da VVS atual:

O Antonov An-12 é um avião similar ao nosso C-130 Hércules (20 ton. de carga) e são os mais antigos dentre todos em serviço na VVS, pois sua produção cessou em 1977.
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Como a Rússia não produz aviões desse porte, pequenos turbo-hélices como o ucraniano Antonov An-140 acima e o tcheco L-410 Turbolet abaixo, vieram a integrar a nova Força Aérea Russa após 2008.
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Contudo agora embargada comercialmente, a Rússia terá que arranjar um avião que venha a suprir a falta desses dois aviões de transporte, e dentre as soluções está o retorno na produção do Ilyushin Il-114.
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Helicópteros de transporte
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A Rússia utiliza-se do Mi-26 desde a época da URSS, porém só recentemente novos helicópteros, os Mi-26T (acima) vem sendo entregues à VVS. O Mi-26 é o maior helicóptero do mundo, também o mais caro e o que leva mais tempo para ser produzido. Mesmo assim gradativamente a VVS vem recebendo algumas unidades dessa nova versão totalmente atualizada.
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O Mil Mi-8 é atualmente helicóptero de transporte de médio mais vendido e utilizado da categoria, similar ao Blackhawk e ao Super Puma utilizados pelo Brasil. Apesar de ser um modelo de helicóptero bem antigo, ele ainda é produzido e constantemente entregue à VVS para reposição dos aposentados. Cerca de 300 estão em serviço por toda Rússia.
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O Kazan Ansat-U acima é a versão de transporte leve e treinamento utilizada pela atual VVS. O Ansat é um modelo exclusivamente russo, produzido a partir de 2012. 
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Controle e comando
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Grande parte dos aviões de comando da VVS são modelos derivados do IL-18, assim como a família dos P-3 / EP-3 da USAF.
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Não se sabe ao certo, mas pode ser que alguns dentre cerca de 20 em serviço tenham sido modernizados, como esse IL-22 da foto acima, já com a nova insígnia da VVS.
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Contudo o IL-18 é um modelo lento e antigo, bom para ser usado dentro da Rússia, para missões de maior alcance a VVS utiliza-se dos Tu-154M construídos na Rússia até 2013.
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Os últimos tri reatores Tupolev Tu-154M (acima) entregues à VVS recentemente, para missão de controle e comando, fecham todos novos modelos e aviões reformados que farão parte da Força Aérea Russa em 2015.
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Veja mais sobre a reforma da Força Aérea Russa em:

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