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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Mirage III

O Mirage III foi o primeiro caça francês a superar mach 2, sua introdução na Armée de L'Air em 1961 colocou a França em mesmo patamar das grande potências da Guerra Fria, os EUA e a URSS. Nessa época esses países costruiam caças similares, como o  norte americano F-104 Starfighter e o soviético Mikoyan MiG-21.
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O Mirage foi diferente de seus concorrentes pois adotou a asa em formato "delta", sem a utilização de estabilizadores traseiros. A asa delta já havia sido empregada no interceptdaor norte americano F-102 Delta Dagger, porém o interceprtador não necessitaria de manobrar durante um  combate aéreo.
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Acima um Mirage III da Força Aérea Argentina.
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Curiosamente o Mirage III se deu bem mesmo adotando essa configuração. Um avião similar, o Saab J35 Draken, de mesma época, não ficou tão famoso, mesmo usando um design similar:
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Acima o Saab J35 Draken da Força Aérea Sueca.
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Ao todo foram construídos 1.422 Mirage III contra 651 Drakens, o Mirage foi usado por 21 nações en quanto o J35 por somente 4 nações. Além de que o caça de fabricação sueca já foi aposentado em 2005 (por último pela Áustria) e o Mirage ainda é usado pela Argentina (III, 5, e Finger), Colômbia (Kfir), Ecuador (Kfir e Cheetah), Egito (Mirage 5), Força Aérea e Marinha do Paquistão (Mirage III).
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A partir do Mirage III surgiram outras variantes, como o Mirage 5 abaixo:
Mirage 5 nas cores da Força Aérea egípcia.
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O Mirage 5 é um avião de ataque ao solo, ou anti navio, baseado no Mirage III. As fuselagem é a mesma, muda-se apenas o radome e o cockpit, além das armas.
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A antiga foto acima mostra um Mirage III da Força Aérea Australiana montado em sua configuração padrão de combate aéreo. A RAAF deixou de operar o Mirage III em 1988.
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O armamento básico do Mirage III são dois mísseis Matra R.550 Magic, guiados por infra vermelho, montados nos cabides de asa e um Matra R.530 na linha central, esse míssil pode ser de guia IR ou guiado por radar semi ativo. Como todas essas armas são ar-ar, o Mirage 5 veio como a primeira idéia de usar um mesmo avião para múltiplas funções, a tal "multifuncionalidade" de hoje em dia.
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O Mirage 5 acima, pode ser usado tanto como bombardeiro tático como avião de ataque ao solo, além de executar também missões anti navio em última instância, com o ocorreu na Guerra das Malvinas em 1982, onde um dos IAI Nesher argentinos, que são Mirage 5 modificados em Israel, iguais aos da foto acima, afundou o navio de transporte inglês Atlantic Conveyor.
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 O IAI Kfir acima, é um Mirage III fabricado em Israel durante os anos 70 e 80 que usa hoje em suas versões um radar multimodo, como os caças de 4° geração, que podem serem equipados tanto com míssies ar-ar como com armas de ataque ao solo, com o o Kfir equatoriano da foto acima.
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O Equador também utiliza-se de uma versão do Mirage 5 fabricada na África do sul, o Atlas Cheetah (acima). O Cheetah é um bombardeiro de Mach 2.2 que foi recentemente substituído pelos Saab Gripen na Força Aérea Sul Africana.
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Mirage III na FAB
A FAb utilizou-se desses Mirage III durante 35 anos. O avião foi aposentado definitivamente m 2005, quando recebemos o Mirage 2000, seu sucessor de 4° geração.
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Histórico operacional
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Acima um Mirage III israelense sendo abatido por um MiG-21egípcio durante a Guerra do Yom Kippur.
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O Mirage III foi usado em combate nas guerras entre Israel vs a Liga Árabe, tanto na Guerra dos 6 dias como na Guerra do Yom Kippur. Em ambas as guerras o Mirage se mostrou superior aos caças soviéticos de exportação fornecidos aos países árabes, porém em 1982, quando os Mirage III argentinos enfrentaram os Sea Harrier ingleses no con flito Falklands/Malvinas, a situação se inverteu, pois os Harrier levaram grande vantagem sobre os Mirage III.
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O legado do Mirage III
 Acima um Mirage 2000N que é usado hoje pela França como bombardeiro nuclear.
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O Mirage III de 2° geração deu lugar ao Mirage F1, de 3° geração, que apresentava uma configuração similar aos modelos de caças soviéticos e ocidentais, porém na 4° geração a asa em delta volta no Mirage 2000 (foto acima).
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Acima o caça leve indiano HAL Tejas, o mais recente dos caças "delta".
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O Mirage 2000 deixou de ser fabricado em favor da produção do multifuncional médio Rafale, de 4,5° geração, mas a Índia que usa a muito tempo os Mirage 2000 criu sua própria aeronave delta, o Tejas (acima), que substituirá futuramente os Mirage 2000 indianos quando excederem suas horas de vôo.
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Abaixo a tabela comparativa com alguns dados do Mirage III e seus similares da mesma época
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mikoyan MiG-23

O Mikoyan MiG-23 (acima) foi um caça/bombardeiro desenvolvido na segunda metade dos anos 60, pela URSS para suceder o MiG-21.
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Na época, além dos mísseis, radar e alcance, a velocidade era um fator de extrema importância num combate, assim o MiG-23 foi projetado para atingir altas velocidades com o uso de apenas um motor.
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Os caças monomotor são mais fáceis e bem mais baratos de serem produzidos, além de um menor custo operacional e um menor tempo para a realização de reforma/revisão.
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A grande desvantagem do monomotor é exatamente o desempenho, pois um motor limita o tamanho do avião e consequentemente reduz a quantidade de combustível. Se um caça tem um motor grande e possante, tem que ter muito combustível para alimentá-lo.. dois motores de média potência, trabalhando com 50% de seu rendimento máximo, torna-se muito mais econômico que utilizar-se só um de alta potência, daí o Rafale, o Typhoon e o MiG-29.
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O conceito utilizado no MiG-23 para a utilização de apenas um motor e continuar com uma boa velocidade foi o emprego das asas de geometria variável, que reduzem as distâncias de pouso e decolagem, economizam muito combustível e reduzem o atrito com o ar em altas velocidades.
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Entretanto a asa de geometria variável tem também seus problemas, como o aumento dos custos, tempo de produção, manutenção, etc e tb a redução da capacidade de manobra do caça.
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Assim o MiG-23 (no meio da foto acima) manobra muito menos que um caça de asa fixa, como os caças tradicionalmente usados.
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Mesmo assim entre 1967 a 1985, a URSS produziu 5.047 unidades dos caças MiG-23, que englobavam versões de treinamento, de uso próprio e para os países do Pacto de Varsóvia e versões de exportação, com radares e armas inferiorizados, além de protótipos como um de decolagem STOL com motores no centro da fuselagem (foto abaixo).
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O MiG-23 deixou as linhas de frente na Rússia com o fim da URSS, porém ainda é largamente usado pelo mundo.
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Com o fim da URSS a Rússia deveria se concentrar em manter os melhores caças, assim os modelos mais antigos e de funções secundárias, como os MiG-23 foram abandonados as centenas nas bases russas... até hoje cerca de 500 aviões desses permanecem aprodrecendo no tempo por todo território russo.
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Muitos países do antigo bloco socialista herdaram uma grande quantidade de MiG-23 do Pacto de Varsóvia, como por exemplo a República Checa (acima):
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Hungria.
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Alemanha Oriental
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 Alguns desses MiGs foram vendidos para particulares e são ustilizados como aviões de demonstração em show aéreos. Só nos EUA existem 11 MiGs-23 de propriedade particular.
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 No período pós soviético, a Rússia ofereceu uma atualização do MiG-23, que consistia na adoção de novas armas, com o míssil ar-ar R-77 guiado por radar ativo e um novo radar similar ao do MiG-29. Alguns países utilizam-se dessa versão atualmente.
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 O MiG-23 básico era armado com seis mísseis, dois R-24R guiados a radar semi ativo e 4 R-60 guiados por infra vermelho. Os mísseis R-24R, montados na raiz das asas do MiG-23 foto acima não são mais utilizados atualmente pela Rússia, mas ainda podem estarem sendo usados por alguns países que herdaram os MiG-23 da URSS.

O R-24R (acima) é similar ao Sparrow usado ainda hoje pelos EUA, inclusive pq ambos possuem o mesmo tipo de orientação (semi-ativa) e o mesmo alcance (50 km).
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Os MiG-23 exportados (acima) eram montados com um radar diferente, similar ao do MiG-21 (mais antigo) e utilizava-se de apenas quatro mísseis K-13, também bem mais antigos e com alcance significativamente inferior.
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 Muitos dos usuários do MiG-23 substituiram o míssil montado sob a fuselagem por um casulo lançador de foguetes, como desse avião na imagem acima.
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A foto acima é um print de tela de um vídeo onde um MiG-23 da Força Aérea Síria dispara esse tipo de foguete de ataque ao solo em direção a posições dos rebeldes da FSA.
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O MiG-23 padrão foi criado para ser um caça puro, assim ele não utilizava-se de nenhuma arma de ataque ao solo, isso foi um dos grandes motivos de sua substituição por novos caças multifuncionais.
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Existiu uma versão de ataque, o MiG-23BN com o da foto acima, porém esse modelo logo deixou de ser fabricado com o início da produção do MiG-27.
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Hoje quem opera o MiG-23 é a Força Aérea Angolana, com 26 unidades ativas, o Congo com 2 aviões, a Etiópia, com 10 usados somente para ataque ao solo, Kazaquistão 3 unids, Líbia 5, Coréia do Norte 56, Sri Lanka 1 para treinamento, Sudão 3, Cuba 24 e a Síria, o maior usuário com 95 aviões MiG-23 (acima).
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 Os MiGs-23 sírios (acima) ficaram famosos ultimamente devido à grande quatidade de vídeos amadores feitos durante a Guerra Civil no país, que já se extende a mais de dois anos.
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 O avião é largamente empregado pela SAAF em missões de ataque ao solo com foguetes ou como bombardeiro. Em um dos vídeos é possível ver até um MiG-23 sendo abatido por artilharia anti aérea.
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Acima um MiG-23 da Coréia do Norte.
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Abaixo, a tabela comparativa com alguns dados do MiG-23 e de outros caças similares em função e de mesma época.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Grumman F-14 Tomcat

O astro do filme Top Gun - Ases Indomáveis de 1986, não... não o Tom Cruise, mas o Tomcat, o veloz interceptador naval que serviu a USN por 32 anos hoje é operacional somente na Força Aérea Iraniana. 
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Tido como um dos mais possantes e poderosos caças do mundo, o Tomcat foi produzido entre 1973 a 1991, deixou a USN em 2006 devido a sua limitada capacidade de manobra e também ao emprego de um avião multifuncional, o F/A-18 E/F Super Hornet. 
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Mesmo tendo uma velocidade muito maior (mach 2.34) o Tomcat foi superado pelo lento F/A-18 E/F (mach 1.8) devido a cercda de 1.300 km a menos no alcance, à capacidade de manobra em combate e à multifuncionalidade, pois o F/A-18 E/F pode também ser usado para ataque naval, bombardeiro e guerra eletrônica.
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O diferencial no F-14 Tomcat dos demais caças ocidentais é seu armamento principal, os quatro ou seis mísseis AIM-54 Phoenix, como o disparado pelo Phantom acima. O Phoenix é um míssil de alta velocidade, destinado a abater grandes aviões que porventura viessem a ameaçar a esquadra norte americana.
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O Phoenix, acima, tem a capacidade de atingir alvos até 180 km de distância, número esse só alcançado pelo novo AIM-120D da USAF. Suas características gerais se assemelham ao míssil russo R-33 que equipa os MiG-31, porém o míssil russo é ligeiramente maior e possui também um alcance superior, abatendo alvos em até 228 km.
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Ao todo 44 Tomcats fazem parte da IRIAF, onde executam como função principal a defesa do território iraniano, mas mesmo sem possuirem um radar multimodo, podem ser equipados com sistemas móveis de orientação de armas ar superfície, assim com se fazia na USN, nas épocas da Guerra Fria.
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Segue abaixo o comparativo do desempenho do Tomcat com aviões similares em função:

McDonnell Douglas F-4 Phantom II

O interceptador norte americano introduzido nos anos 60 foi o primeiro dentre todos os caças de 3° geração. O avião diferente dos demais, de grande porte e bem pesado, apareceu em uma época onde os caças eram todos pequenos. Sua função básica, abater seus adversários além do campo de visão do piloto e portar 8 mísseis, com o tempo suas funções foram ampliadas para uma variedade de missões, como anti-navio, reconhecimento, supressão de defesas, etc.
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Sua estréia em combate não foi das melhores, pois ele enfrentou durante a Guerra do Vietnam aviões de uma geração anterior e até caças de 1° geração, como o MiG-17 soviético. Mesmo sendo um grande e possante avião, os Phantom obtiveram apenas 60% das vitórias para os Mig-21 (desenho acima), assim em meio a Guerra veio a ideía de substituí-lo, foram então desenvolvidos o F-14, o F-15 e o F-16.
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Na estimativa norte americana, durante o conflito no Vietnam, 51 caças Phantom foram perdidos para 107 MiGs, sendo 33 MiG-17 de 1° geração, 8 MiG-19 e 66 MiG 21, ambos de 2° geração. As estimativas russas são diferentes, claro, apontando a vitória para o lado socialista, entretanto mesmo sabendo que os EUA também não são corretos em suas estimativas, pode-se considerar que o Phantom definitivamente não é um avião de combate corpo a corpo, assim ele deixou a USN em 1987, a USAF em 1990 da linha de frente, os USMC em 1992 e a Guarda Aérea Nacional (norte americana) em 1996.
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 Acima um F-4 Phantom da USN e um Mig-23 da Líbia sobre o Golfo de Sidra em 1981.
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Enfim discutir quem era melhor em combate não é a questão em si, mas sim a perda de 761 caças Phantom durante os 8 anos em que os EUA participaram do conflito. A partir da introdução dos caças de 4° geração, o F-14, o F-15 e o F-16, a produção dos Phantom não cessou como de todos outros caças americanos anteriores, ela continuou até 1981 para exportação, atingindo 5.195 unidades, sendo o recordista em produção dentre todos supersônicos norte americanos.
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Dentre os países que ainda operam o Phantom temos:
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Força Aérea Iraniana
O Irã ainda mantém 64 Phantoms da época em que mantinha relações com os EUA. Desses 60 são dos modelos D/E e 4 são RF-4E de reconhecimento.
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Os Phantom iranianos foram modificados pela China e hoje podem transportar mísseis chineses ar ar e antinavio. Sua função principal na IRIAF é de um avião multifunção de ataque e interceptação.
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Turquia
 A Turquia, vizinha do Irã, também possui seus Phantom, porém o modelo turco de combate foi modificado em Israel, é conhecido popularmente como Terminator 2020. Ao todo a Turquia utiliza hoje 49 F-4E Terminator 2020 e 15 RF-4 de reconhecimento.
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O F-4E Terminator 2020 (acima) continua sendo um interceptador, com seus mísseis Sparrow e Sidewinder, porém seu novo radar lhe permite um melhor desempenho para ataque ao solo. Recentemente, logo no início das hostilidades na Síria, um RF-4 Phantom da Força Aérea Turca foi abatido em uma controversa missão, essa foi a última ação de um Phantom em combate real.
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Coréia do Sul
A ROKAF, ou Royal Korean Air Force (Força Aérea da Coréia do Sul) utiliza hoje 69  F-4E como o da foto acima.
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Grécia
 A Grécia mantém em 2015 um total de 34 F-4E Peace Icarus (foto acima), que pode disparar o AIM-120 AMRAAM e 12 RF-4E como o avião da foto abaixo:
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O RF-4E é uma versão desarmada equipada para reconhecimento fotográfico.
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Japão
O F-4EJ Kai da JSDF é um avião diferente dos Phantom tradicionais, pois foi construído no Japão para uso no Japão. O avião pode executar missões de interceptação, como os demais Phantoms, mas o Kai é equipado para bombardeio e ataque ao solo.
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Egito
 A Força Aérea Egípcia tem 34 F-4E, porém não sei ao certo qual a atual camuflagem de seus Phantom, se é igual ao da foto acima ou o abaixo, com a deriva laranja.
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Ambas fotos são antigas, pois na primeira aparece um Phantom da USAF e na segunda dois cargueiros C-141 Starlifter, dois aviões que a tempos deixaram a linha de frente na USAF.
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Hoje o Phantom está sendo retirado e substituído por aeronaves menores e multifuncionais, mesmo assim ele ainda é um ícone da aviação de caça mundial, ele é um avião único, que nunca foi copiado e também não se assemelha a nenhum outro avião. Seu design é um clássico e ainda tem muitos fãs não só no mundo mas aqui no Brasil também. 
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Abaixo segue a tabela comparativa de dados do F-4E Phantom com outros caças de função similar.
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