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sábado, 5 de outubro de 2013

Morre no Vietnã, aos 102 anos, gênio militar responsável por arrasar “mito da invencível superioridade dos Estados Unidos”

Võ Nguyên Giáp - 25/08/1911 - 04/10/2013
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Do nada, ele fez um exército; de um enfrentamento local, um símbolo da resistência à iniquidade. Ele venceu os franceses da batalha de Diên Biên Phu, em 1954, e depois arrasou os norte-americanos, com a Ofensiva do Tet, em 1968. Um David que triunfou sobre diversos Golias: assim se inscreve o general Vo Nguyen Giap na história do Vietnã.
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Giap nasceu em 25 de agosto de 1911, em Annan, protetorado da Indochina francesa. Foi criado por sua família numa atmosfera de orgulho pela dominação estrangeira. No colégio de Hue, a leitura do Processo da Colonização Francesa, de Ho Chi Mihn, transtorna-o. A ganância dos colonizadores, seu desprezo pela população local e sua brutalidade provocam, em 1930, um vasto levante, duramente reprimido. Instruído pela prisão, Giap terá, a partir de então, vida dupla.
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Forma-se em 1934, torna-se professor, casa-se. Ao mesmo tempo, ingressa no Partido Comunista, clandestino. As bases do Vietminh, uma estrutura operária e camponsesa ligada à Internacional Comunista, estão superadas. Na China, Giap recebe, em 1940, orientação de formar um exército de libertação. Tem trinta anos, seu futuro transforma-se. A partir de então, três décadas de combate – pela independência, em setembro de 1945; contra o ocupação francesa da Indochina, até 1954; contra os invasores norte-americanos, expulsos em 1975 – serão marcadas por seu gênio militar.

Giap em 1994
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Sem formação militar acadêmica, Giap refina o conceito de “guerra popular prolongada”: um exército de camponeses firmemente apoiado na população. Suas tropas souberam ser respeitadas nos vilarejos por sua abnegação, que contrastava com a arrogância francesa e norte-americana. Em contrapartida, os civis ajudavam os soldados e tornaram possíveis proezas logísticas. Basta vislumbrar as dificuldades do cerco de Diên Biên Phu: durante 55 dias, jangadas e bicicletas, que se esgueiravam pelas trilhas da floresta, abasteceram de alimentos e munições um exército sob chuva de bombas e napalm.
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Para Giap, a guerra revolucionária comportava três fases: a defesa estratégica, a guerrilha e a contra-ofensiva. Ele foi insuperável nas duas primeiras, mas se mostrava às vezes impaciente, nas operações de grande amplitude. Soube, porém, transformar uma derrota tática, como a de Têt, numa vitória política: a opinião pública norte-americana tremeu, quando descobriu a onipresença dos “Vietcongs”.

 Em 2008
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Afrontado por uma lógica de aniquilação, Giap desenvolveu uma estratégia que fez voar em pedaços o que ele chamava de “mito da insuperável potência das tropas norte-americanas”. Segundo um de seus biógrafos, Cecil B. Currey, Giap foi “talvez o único gênio militar do século 20 e um dos maiores de todos os tempos” – porque “desencadeou uma batalha contra seus inimigos a partir de uma situação de grande fraqueza, começando quase sem tropas, porém capaz de vencer sucessivamente os vestígios do império japonês, os exércitos da França (à época segundo império colonial) e os Estados Unidos, então uma das duas superpotências do mundo”
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Por Xavier Monthéard, no Le Monde Diplomatique

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