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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Saiba o que é o sarin

O sarin foi descoberto acidentalmente em 1938 pelo químico alemão Gerhard Scharader durante uma síntese de defensivos agrícolas. Segundo o Centro de Controle de Prevenção de Doenças dos EUA, em sua forma pura o sarin é uma substância líquida sem cor e sem cheiro, mas também pode ser vaporizado para ser espalhado no ambiente. Estima-se que seja 500 vezes mais tóxico que o cianeto.
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Pelo seu potencial devastador, a ONU o considera uma “arma de destruição em massa”, banida desde 1997. O sarin age sobre o sistema nervoso central, impedindo a enzima chamada de acetilcolinesterase de transmitir impulsos nervosos ao organismo. Com isso, os músculos se desordenam e os órgãos param de funcionar. Dependendo da concentração, ele pode matar em poucos minutos após ser inalado; se for absorvido pela pele, o processo é um pouco mais lento, demorando entre 20 e 30 minutos para aparecerem os primeiros sintomas.
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 Ao serem contaminadas, as vítimas costumam apresentar vômitos, dores de cabeça, espasmos musculares, convulsões, sudorese, insuficiência respiratória e diminuição dos batimentos cardíacos, entre outros sintomas.Segundo o grupo de estudos Iniciativa de Ameaça Nuclear (NTI, na sigla em inglês), as armas químicas despertam menos atenção dos governos e do público do que as nucleares ou biológicas, mas os registros históricos mostram que elas são as armas de destruição em massa mais utilizadas. Isso porque quantidades relativamente pequenas podem produzir grandes estragos, e sua produção exige tecnologias mais simples do que as demais.
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Já faz dez anos desde que o Gabinete de Análise Tecnológica dos EUA publicou uma nota alertando que os materiais necessários para a produção do sarin eram conhecidos havia 40 anos, com o procedimento de produção podendo ser adotado por laboratórios farmacêuticos de moderada tecnologia. Para completar, quantidades pequenas de sarin – como um ou dois quilos – podem ser produzidas em pequenos laboratórios, facilmente “escondidos” em zonas residenciais. Apesar de a produção de sarin não demandar uma tecnologia de ponta, ainda assim a facilidade para sua produção é relativa. Se o país ou grupo não tiver acesso direto aos chamados “químicos precursores” corretos, a síntese (processo químico) para se chegar à substância metilfosfonofluorído exigirá equipamentos especiais. É necessário um equipamento especial resistente à corrosão, por exemplo.
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A produção também costuma trazer dois problemas. O primeiro é a questão da segurança, pois o sarin é altamente tóxico e volátil. Qualquer traço que escapar do equipamento de produção é extremamente perigoso para quem estiver fazendo a síntese. 
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O segundo quesito é como fazer a purificação, processo necessário para estabilizar e armazenar o sarin. Se não for purificado, rapidamente ele se degrada, ou seja, perde suas características destrutivas. Se a rápida degradação representa um problema para quem produz o sarin, essa característica também é um grande entrave para os investigadores que tentam determinar se a arma foi ou não usada.
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O sarin em si só é detectável num curto espaço de tempo; no ambiente e em urinas, desaparece em questão de dias. Como pode levar mais tempo para que inspetores independentes cheguem aos locais onde houve possíveis ataques, costumam-se encontrar apenas subprodutos do sarin, muitas vezes em concentrações que não permitem uma análise incontestável.
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No caso do conflito na Síria, há um outro fator que provoca controvérsia: a falta de confiabilidade das fontes. Essencialmente, todas as amostra vindas da Síria foram coletadas e transferidas de forma que não é possível demonstrar com independência que foram de fato retiradas do local alegado, da forma correta, e que ninguém interferiu nelas durante o transporte.

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