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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Assinatura infravermelha

Se vc ainda acredita em avião invisível é porque anda assistindo a muito desenho animado ou lendo gibis ! O "avião invisível da Mulher Maravilha" ainda não existe ! Sabe porquê ? Porque ele deixará de ser invisível aos visores infravermelhos !
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Nada que tenha uma temperatura maior que a ambiente passará sem ser visto pelos equipamentos de visão infravermelha, o popularmente conhecido FLIR, do inglês "Forward Looking Infra-Red" - sensor de visão frontal infravermelha, é um dispositivo que detecta a radiação infravermelha emitida por objetos "quentes". Desde um cervo no meio do mato até um ladrão de carros se aproveitando da escuridão da noite, são particularmente bem visíveis a um FLIR.
Imagine um sensor desses montado em um equipamento militar, como seriam as imagens geradas por ele de seus possíveis alvos !
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Chinook
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Boeing KC-135
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AH-64 Apache
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F-22 Raptor
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Nenhum veículo aéreo que emita calor gerado pelos motores a combustão está invisível ao FLIR.
B-2 Spirit deixando uma trilha de calor a partir dos exaustores dos quatro turbofans
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Já li em sites tendenciosos que os bombardeiros estratégicos B-2 Spirit não emitem calor dos turbofans... mas pergunto então o que será que distorce o ar na imagem acima ? Será um vento gelado ? 
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Alguns aviões de combate podem voar a velocidades supersônicas sem o uso de pós combustores para minimizar a assinatura infra vermelha, mas mesmo voando em supercruise sempre há a liberação de calor.
Um F-35 Lightning que atinge mach 1.6 com o uso de pós combustão (imagem acima) pode chegar a mach 1.2 sem a utilização desse sistema, porém o motor continua expelido o calor proveniente da combustão interna.
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Enfim, é impossível que um avião voe com um motor a combustão sem ser detectado por sua assinatura infravermelha.
Acima um FLIR montado em um A-29 Super Tucano da FAB
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Normalmente o sensor de visão frontal infravermelha é usado em pequenos aviões de ataque ao solo ou em helicópteros, para localizar desde veículos até pessoas na escuridão da noite. O FLIR funciona com aeronaves que voam baixo e a velocidades subsônicas.
O sensor IRST montado em um F-14 Tomcat
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Para aviões de combate, o sensor mais usado é o IRST, de Infra-Red Search and Track (infravermelho de busca e rastreamento), sistema de busca e rastreamento de alvos por meio da detecção de suas emissões de calor.
Saab JAS 39 Gripen
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Hoje em dia todo avião de combate bem equipado possui um sistema IRST, afinal os antigos mísseis orientados por calor que atingiam alvos voando dentro do alcance de visão do piloto, estão dando lugar a mísseis IR (infra red) com alcance de até 120 km.
Acima o antigo míssil Molniya R-60 soviético com alcance de 8 km
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Existe porém a contra medida defensiva FLARE, ou lançador de chamas, que consiste em um pirotécnico à base de magnésio que se incendeia ao ser lançado de um veículo.
O conhecido 'anjo' formado pelo FLARE lançado dos AC-130 da USAF.
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Teoricamente o FLARE gera um calor maior que o da aeronave, desviando o míssil guiado a infra vermelho (IR) de seu alvo, deixando assim a aeronave longe do alcance da ogiva.
AMX lançando um FLARE
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Assim como os mísseis IR, hoje a maioria dos países utiliza o FLARE desde veículos blindados, passando por helicópteros, aviões e até navios, mas mesmo assim ainda existe uma grande taxa de perdas de equipamento bélico vítima de armas guiadas por calor.
Míssil anti aéreo FIM-92 Stinger guiado por infra vermelho
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Nas guerras a partir de 1969, em que o sistema portátil de míssil anti aéreo guiado por infra vermelho MANPADS (Man-portable air-defense systems) foi usado, sem sombra de dúvidas, foi a arma mais eficiente contra aviões e helicópteros adversários.
Sistema portátil de míssil anti aéreo guiado por infra vermelho MANPADS (Man-portable air-defense systems)
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Atualmente o sistema MANPADS é fabricado por 10 nações, sendo que mais de 20 modelos estão à serviço de todo planeta.
 F-15E Strike Eagle da USAF abatido na Líbia
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Dentre todos modelos de MANPADS disponíveis, os dois mais usados são o Stinger de fabricação norte americana e o Igla de fabricação russa, esse último que também é usado pelo Brasil.
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Acima soldados disparam um míssil Igla
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Concluindo, se vc ainda acredita realmente em avião invisível, é melhor deixar de assistir a desenhos e acordar para o mundo real, pois só mesmo um planador ou um balão de hélio pode realmente ser invisível aos mísseis, visores e rastreadores infra vermelhos, jamais um avião de combate.
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Veja mais sobre o assunto em:
Batalha pela superioridade aérea
Aviões de combate - Estados Unidos da América
Supercruise
RCS - Seção transversal de radar

5 comentários:

  1. Excelente post como todos os outros Flavio. Interessante ver como uma aeronave cara como o F-15 é derrabado por uma arma portátil e barata. Será que o F-22 se daria bem em um ambiente com as mais modernas armas e caças? Gosto da maneira que você posta sem tender para o lado dos americanos

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  2. Certamente o F-22 leva uma grande vantagem sobre o F-15, que já foi cotado para ser aposentado mas não foi e agora tem previsão de aposentadoria para 2025. Contudo convém se citar que nenhum avião de combate é imbatível, seja ele russo, americano ou europeu. Grato pela participação.

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  3. Flavio, qual a melhor maneira de se livrar de um míssil anti-avião, velocidade e teto bons seria uma alternativa, será que aeronaves conseguem bater a velocidade de um míssil? Qual o melhor sistema anti aéreo? por exemplo, mais difícil de desviar. esperando uma resposta.

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  4. Olá Samuel, é difícil dizer qual a melhor forma de escapar.. pois depende do míssil.. alguns são guiados por IR, como disse em minha postagem, para esses os aviões se utilizam de iscas chamadas "flare" (na postagem acima). Para mísseis guiados por radar, os aviões podem se defender utilizando-se de contramedidas eletrônicas. Já um míssil guiado por radar semi-ativo ou pelo operador é bem mais difícil de se desviar, nem os stealth escapam deles (leia a matéria que escrevi do F-117). Teto e velocidade estão fora de questão, pois somente um Mig-25 ou 31 conseguiria talvez "fugir" de um míssil. O sistema mais difícil de se esquivar é o semi-ativo, onde o orientador do míssil guia ele até o alvo.

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