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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Bombardeiro estratégico

 Northrop B-2 Spirit, da USAF, descarregando 80 bombas Mk-82 de 230 kg cada
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O termo 'bombardeiro' na aviação militar é empregado generalizando um avião capaz de lançar uma grande quantidade de bombas sobre o território inimigo, porém existem dois tipos de bombardeiros, os táticos, projetados para voar até 5.000 km ou menos, mesmo se reabastecidos em vôo e os estratégicos, projetados para voar mais de 5.000 km.
Xian H-6M da Força Aérea do Exército de Libertação Popular Chinês
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Hoje somente três nações utilizam bombardeiros estratégicos, os EUA em primeiro lugar com 162 aviões, a China em segundo com cerca de 160 e a Rússia em terceiro com 79 aviões. A USAF utiliza hoje três tipos de bombardeiros estratégicos distintos, o Boeing B-52H Stratofortress, o Rockwell B-1B Lancer e o Northrop B-2 Spirit, a China usa o Xian H-6 e suas variantes, e a Rússia o Tupolev Tu-95MS e o Tupolev Tu-160.
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 Tupolev Tu-95MS da Força Aérea Russa
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Com o avanço das defesas terrestres, como mísseis terra ar e o grande alcance e velocidade dos caças atuais, o 'bombardeiro' deixou de lado as bombas para transportar mísseis, alguns mais lentos, grandes e facilmente detectados pelo radar, como o Tu-95MS e o B-52H são equipados com mísseis para 2.400 km de alcance (até mais no caso do Tu-95MS).
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Acima um míssil cruzador AGM-86 é lançado por um B-52H
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O B-52H da USAF pode transportar até 20 mísseis cruzadores AGM-86 ALCM, cada qual com alcance de 2.400 km. Atualmente o B-52H teve seus cabides externos removidos devido ao New Start de 2010 que limita o uso de armas estratégicas, mas internamente o B-52H ainda tem a capacidade de transportar até 8 ALCMs em um carregador rotativo:
AGM-86B ALCM em carregador rotativo de um B-52H.
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O ALCM pode ser armado com uma ogiva nuclear ou convencional, dependendo de seu uso. Ao todo a USAF mantém hoje 76 B-52H sendo 58 ativos e 18 na reserva, com cerca de 1.000 mísseis ALCM, sendo cerca de 500 com ogivas convencionais e 500 com ogivas nucleares.
Devido a custos elevados e problemas operacionais, o míssil AGM-129 ACM (acima) que era transportado externamente no B-52H foi retirado de serviço e suas 460 unidades foram sucateadas recentemente. O ACM tinha um alcance nominal de até 3.700 km, porém durante a fase de testes causou uma série de problemas como se perder durante o vôo. Contudo o confiável AGM-86B/C ficará ainda em serviço até 2030.
Junto ao B-52H, a USAF ainda mantém uma frota de 66 bombardeiros estratégicos supersônicos Rockwell B-1B Lancer (foto acima). O B-1B é um bombardeiro com capacidade de penetrar o espaço aéreo inimigo em velocidades de até 1.100 km/h e se necessário pode atingir até 1.340 km/h em fuga, se voando a grande altitude (15.000 metros).
Acima um B-1B lança o AGM-158 JASSM
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Devido ao seu desempenho superior, o B-1B utiliza mísseis menores e bombas planadoras. O novo míssil da USAF, o AGM-158 JASSM tem um alcance de 370 km, mas provavelmente ainda esse ano entre uma versão com alcance estendido, para até cerca de 900 km.
A vantagem do JASSM (acima) em relação ao ALCM é seu tamanho reduzido, aumentando assim a capacidade de carga do bombardeiro. Um B-1B pode transportar até 24 mísseis JASSM em comparação aos 8 ALCM transportados pelo B-52H.
 Por último a USAF adicionou 20 bombardeiros estratégicos Northrop B-2 Spirit a sua frota. O B-2 Spirit é dentre todos o avião mais caro atualmente, o custo unitário chega a 737 milhões de dólares. O diferencial do B-2 em relação aos anteriores é sua capacidade furtiva, isto é, ele tem uma menor assinatura de radar que o B-52 e que o B-1B. O avião possui um design e um tipo de revestimento especial que absorve grande parte das ondas de radar adversárias, além de possuir os exaustores das turbinas na parte superior da fuselagem, que dificulta também o rastreamento térmico por infra vermelho.
Em desempenho o B-2 é relativamente fraco, se comparado ao rápido B-1B e ao gigantesco B-52H, porém ele pode transportar até 16 mísseis JASSM. Em teoria, com uma pequena assinatura de radar, o B-2 pode entrar furtivamente no território inimigo sem ser notado pelos radares de longo alcance e descarregar sua carga de bombas ou mísseis cruzadores.
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 Acima um B-1B acompanhado por um caça F-16, lança uma bomba planadora JSOW.
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Outro meio de burlar os sistemas de rastreamento infra vermelho das defesas aéreas adversárias, é utilizar bombas planadoras de longo alcance, como a AGM-154 JSOW. Os demais mísseis cruzadores possuem um motor que gera calor, facilmente localizado por um rastreador infra vermelho montado em uma aeronave, já a bomba planadora não possui emissão de calor por não ter um sistema de propulsão.
Acima a AGM-154 JSOW pode atingir alta velocidade subsônica (cerca de 1.000 km/h) e atingir alvos de 22 a 130 km, dependendo da altitude em que a mesma for lançada.
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Cada bombardeiro estratégico da USAF pode transportar até 16 bombas JSOW.
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Xian H-6 (China)
 Acima um míssil YJ-63 a ser carregado em um Xian H-6M
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Com avanços na tecnologia norte americana de armas estratégicas, a China vem colocando a cada dia que se passa novos modelos de mísseis e variantes do Xian H-6, o atual bombardeiro estratégico chinês.
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O tradicional e grande míssil YJ-63 da foto acima, com 400 km de alcance está a ser substituido por uma versão chinesa do Kh-55 de fabricação russa. O Xian H-6 que transporta normalmente dois mísseis HJ-63 terá a capacidade de transportar até 6 dos novos mísseis.
Na 1° foto logo acima é possível ver (apesar de mal tirada) os três cabides da asa de um Xian H-6K armados com um novo míssil, e logo abaixo, na foto mais nítida, os três cabides externos vazios.
Mesmo com a "cara coberta", não tardou a aparecer o novo nariz do H-6K, que sugere um novo radar além de uma melhor aerodinâmica.
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O H-6K também possui motores russos Soloviev D-30KP, que possuem cerca de 30% a mais de potência que o WP-8 de fabricação chinesa, usado no H-6M.
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Ao todo a China possui cerca de 180 aviões H-6, mas dentre eles estão bombardeiros de queda livre, sem cabides externos e sem a capacidade de transportar mísseis, alguns aviões equipados para missões anti navio, alguns para reconhecimento eletrônico e alguns aviões tanque. É possível que cerca de 160 tenham capacidade ofensiva, mas nem todos com capacidade de disparo de mísseis cruzadores.
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Bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160 de prontidão na base de Engels em Saratov, Rússia.
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A Rússia de hoje, diferente da URSS não tem mais como bancar uma enorme frota de bombardeiros estratégicos. Com 79 aviões, numericamente a Força Aérea Russa está ainda abaixo da PLAAF (China).
Ao todo são mantidos 63 Tupolev Tu-95MS (acima) em serviço, desses 55 estão em prontidõ para combate e 8 permanecem na reserva. O turbohélice que entrou em serviço em 1986, foi fabricado até 1994, sendo que os produzidos mais recentemente ainda permanecem em serviço.
Dos Tu-95MS em serviço, 32 aviões tem capacidade para transportar 6 mísseis e 31 para 12 mísseis de acordo com as limitações impostas pelo novo START de 2010. O Tu-95MS pode transportar o míssil hipersônico Raduga Kh-15, porém em se tratando de um avião grande, lento e defasado assim como o Boeing B-52H, é bem provável que o Tu-95MS só carregue atualmente armas de longo alcance, como o Kh-55 e Kh-55SM (nuclear).
O míssil Raduga Kh-15, visto na imagem acima, em um carregador rotativo dentro da baia de armas de um Tu-95 foi implantado durante a URSS. Em termos gerais a arma é muito similar ao aposentado SRAM da USAF, porém o Kh-15 tem cerca de duas vezes mais alcance e o dobro de velocidade, se comparado a seu ex-rival ocidental. A grande desvantagem do Kh-15 é seu pequeno alcance (cerca de 300 km) e sua pequena ogiva de 150 kg. A sua única vantagem é que sem dúvidas voando próximo dos 6.000 km/h é uma arma praticamente não interceptável como todos outros mísseis aqui citados.
Como o Raduga Kh-15 (acima) não é considerada uma arma estratégica e nem transporta ogiva nuclear, ela não é contabilizada pelo START, portanto é impossível determinar quantos a Rússia ainda mantém em serviço e a partir de quais aviões ele é lançado.
Acima um míssil cruzador russo RadugaKh-55
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A arma padrão do Tu-95MS, contabilizada pelo START é o míssil Raduga Kh-55, muito similar ao norte americano Tomahawk (que é lançado de navios e submarinos). O Kh-55 pode transportar ogiva nuclear ou convencional e seu alcance é de cerca de 2.500 km.
O Kh-55 (acima) é montado também em carregador rotativo, assim como o ALCM é montado no B-52H, porém como o bombardeiro russo tem a fuselagem mais estreita, o carregador do Tu-95MS pode apenas portar 6 mísseis contra 8 de seu rival norte americano.
Raduga Kh-55SM com tanques de combustível conformais
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Ainda durante a época da Guerra Fria a URSS desenvolveu uma versão de maior alcance do Kh-55, o Kh-55SM com tanques de combustível conformais. O modelo SM tem um alcance de 3.000 km, talvez até 3.500 km (dependendo da fonte) sendo hoje a arma aero transportada de maior alcance usada no mundo. Ao que parece, todos os SM possuem ogiva nuclear de 200kt.
 acima um Kh-555 é colocado no carregador rotativo, dentro da baia de um Tu-95MS
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A Rússia na intenção de burlar o START desenvolveu uma série de armas muito parecidas e de funções similares, como o Kh-555 com ogiva convencional de 350 kg e alcance de 2.000 km, o Kh-65SE com ogiva convencional de 410 kg e alcance de 600 km, além de uma versão tática conhecida como Kh-SD com 300 km de alcance. Com tanta confusão é praticamente impossível determinar quantos mísseis ainda permanecem em serviço na Rússia de todos modelos, mas é bem provável que a quantidade do Kh-55 e do Kh-55SM se somadas, ultrapassem as 1.000 unidades.
Nos anos 90, a Rússia também testou uma arma de maior alcance no Tu-95MS, o Kh-101.
Devido a seu tamanho, o Kh-101 não cabia na baia interna do Tu-95MS assim como o AGM-129 não cabia no B-52H. Assim foram adaptados cabides externos para transportar o enorme míssil que poia atingir alvos a 5.000 km de distância.
Não se sabe ao certo o motivo, talvez falta de verbas, arrasto aerodinâmico, problemas técnicos, etc. o Kh-101 foi cancelado antes de entrar em produção.
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Um Tu-95MS corta as nuvens em um vôo de grande altitude
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Contudo o Tu-95MS ainda permanece e permanecerá ativo na Força Aérea Russa até 2040 armado com os mísseis da família Kh-55.
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Tupolev Tu-160 da Força Aérea Russa
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Dentre todos bombardeiros estratégicos sem dúvidas o Tupolev Tu-160 é o mais formidável, tanto pelo seu tamanho como pelo seu desempenho.
 Acima um Tu-160 com asas enflechadas a 20° durante a dcolagem
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O avião com asas de geometria variável é ainda maior e mais pesado que um B-52H da USAF, com autonomia de vôo e carga de armas superior, porém possui a velocidade de um caça !
 Aparentemente o Tu-160 se assemelha muito a um B-1B Lancer, no passado até fiz um post comparativo no blog com as fotos de ambos, porém o Tu-160 é uma máquina maior, com um desempenho bem superior ao B-1B.
 Seu grande diferencial são seus possantes motores, sem similares ocidentais. O turbofan Samara NK-321 do Tu-160 desenvolve cerca de 83% de potência a mais que os General Electric F-101-GE102 do B-1B, assim em pós combustão máxima o Tu-160 pode atingir a marca de mach 2.12, enquanto o B-1B é limitado a mach 1.25.
Mesmo com todo esse desempenho o Tu-160 tem seus problemas, dentre eles podemos citar sua quantidade limitada (16 em serviço), que o torna alvo prioritário em caso de guerra. Além disso, seu tamanho imenso o torna visível a grandes distâncias pelos radares adversários. Mesmo assim o Tu-160 é um avião difícil de se abater devido a seu longo alcance e alta velocidade. Muitos caças atuais, dentre eles o F/A-18E/F e o F-35 Lightning não atingem mach 1.8 se armados...
Acima o Tu-160 Vitaliy Kolypov entregue em 2010
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O Tu-160 é atualmente o único bombardeiro estratégico supersônico de mach 2+ e por incrível que pareça ainda se encontra em produção. O último entregue à Força Aérea Russa foi em 2010, que ainda aguarda mais três unidades até 2020. O custo unitário de cada avião desses é estimado em 250 milhões de dólares, isto é, cerca de 1/3 do custo de um B-2 Spirit à USAF.
O armamento principal do Tu-160 são os mísseis da família Kh-55, como os Kh-55SM na foto acima, mas é possível também que o mesmo transporte o Raduga Kh-15 hipersônico.
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Abaixo a tabela comparativa dos mísseis:
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Tupolev Tu-160 vs Rockwell B-1B
Tupolev Tu-95MS
Tu-95MS em vídeo
Base de Engels
Base de Dyaghilevo
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Aviões de Ataque da Força Aérea Russa
Tupolev Tu-22M3
Tu-22M3 (imagens)
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Tu-95MS e Tu-160 (Maks 2011)
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