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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Tupolev Tu-22M3 - O mais poderoso avião de ataque do mundo

Dentre todos aviões de ataque em serviço na atualidade, o Tu22M3 é o que possui o melhor desempenho e capacidade de armas, e a partir de 2013 receberá uma reforma para que permaneçam em serviço até 2030, quando está prevista a entrada em serviço do PAK-DA, o futuro bombardeiro da VVS.
O Tu-22M surgiu no final dos anos 60, como um substituto para o bombardeiro estratégico supersônico Tu-22. Apesar de ambos possuirem uma designação similar, o Tu-22M é uma aeronave totalmente diferente do antigo Tu-22.
Os modelos Tu-22M0 e Tu-22M1 foram protótipos diferentes do primeiro modelo a entrar em serviço, o Tu22M2, que possuía uma sonda de reabastecimento fixa no nariz e transportava bombas de queda livre (convencionais e nucleares) e seu principal armamento, os mísseis cruzadores supersônicos Kh-22 Burya. O Tu-22M3 não possui sonda de reabastecimento para ser considerado como um avião de ataque e não um 'bombardeiro estratégico', assim ele não entra nas limitações impostas pelo NEW START de 2010.
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Armamento
O míssil Raduga Kh-22 Burya, que entrou em serviço em 1962 (antes do Tu-22M) foi produzido até 2007, quando o ministério da defesa da Rússia decidiu-se por iniciar a produção da família Onix/Yakhont/Brahmos, menores e de menor desempenho, mas muito mais econômicos.
O Kh-22 possui um propulsor de combustível líquido, que aceleram o míssil de 11,65m a uma velocidade de mach 4.6, jamais atingida por qualquer outro míssil de mesmo tamanho. A carga bélica do míssil consiste em uma ogiva convencional de 1000 kg ou nuclear, de 350 kt ou 1 mt, dependendo da missão.
O Burya mesmo pesando 5820 kg consegue atingir alvos até 600 km de distância, que é mais que o dobro de qualquer míssil antinavio ocidental lançado por aeronaves, e é o mais veloz dentre todas as armas ar-superfície da atualidade.
Devido ao tamanho avantajado, o Kh-22 não cabe na baia de mísseis do Tu-22M3, assim ele tem que ser transportado externamente, em cabides externos nas asas, ou em alguns modelos como o da foto acima, para carregar o 3º míssil, é necessária a retirada da baia de armas e em seu lugar, e instalado o Kh-22, semi embutido na fuselagem.
 O Tu-22M3 já foi equipado com os mísseis hipersônicos ar-terra Kh-15, com velocidades de mach 5 e alcance de 300 km.
Mais recentemente também foram instalados os Kh-55 de cruzeiro subsônico, com alcance de 2500 km. Ambos o Kh-15 e o Kh-55 são armas de ataque ao solo, que visam além de instalações militares, em caso de guerra, podem também serem utilizados para a destruição de edifícios importantes e até cidades, se equipados com ogivas nucleares.
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Assim após o tratado de redução e limitação de armas estratégicas NEW START de 2010, ambos não foram implantados nos Tu-22M3 em serviço, para que tal avião não se enquadrasse nas limitações impostas pelo tratado, porém nada impede que em caso de necessidade, o carregador rotativo do tipo 'revólver' típico dos bombardeiros estratégicos, seja novamente instalado nos aviões em serviço.
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Tanto o carregador 'revólver' com capacidade para 6 mísseis como sua baía de transporte, aparentemente são do mesmo tipo (MKU 6-1) implantado nos dois bombsrdeiros estratégicos que a Rússia utiliza atualmente, o Tu-95MS e o Tu-160.
É provável também que o Tu-22M3 possa transportar o míssil tático Kh-65SE, com ogiva convencional de 410kg e alcance de 600km, porém nunca vi imagens do mesmo sendo transportado pelo Tu-22M3. A arma foi concebida em 2001 como uma forma de 'burlar' os tratados de limitação de armas estratégicas e ainda é controversa sua utilização.
Contudo o Tu-22M3 utiliza um ou dois mísseis Kh-22 Burya sobre os cabides das asas.
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Curiosamente em suas missões de combate real, contra a Chechênia, o Tu-22M3 foi utilizado pela VVS como os EUA utilizam o B-52 Stratofortress, como bombardeiro convencional para bombas de queda livre.
Devida a sua capacidade de carga de 24.000 kg, o Tu-22M3 pode transportar qualquer bomba de fabricação russa ou soviética de queda livre. As bombas maiores, com alto arrasto aerodinâmico normalmente são transportadas internamente na baia, e as menores em cabides externos, que podem ser montados nas asas e em sua fuselagem.
Acima um Tu-22M3 armado com bombas de queda livre maontadas em cabides na fuselagem.
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Sistemas de defesa
 Assim como todos aviões russos, o Tu-22M3 possui o típico lançador de chamas para despistar mísseis infravermelhos que são detectados pelo avião com um sistema interessante porém não descrito em nada que encontrei até agora na net:
Esse estranho dispositivo é montado no Tu-22M3 e no Tu-95MS.
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Na torreta traseira o avião possui um canhão Gsh-23 com dois canos de 23 mm, acionados remotamente, que asseguram lhe proteção traseira contra aeronaves próximas ou mísseis IR que costumam perseguir o avião em velocidades não muito elevadas. Não sei ao certo o alcance efetivo do Gsh-23, se encontrar algo mudo o post, porém creio que deva ter um alcance efetivo médio similar ao Vulcan M-61 norte americano, que é de 2000 a 3000 metros. A taxa de fogo do Gsh é de cerda de 3500 tiros por minuto.
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Motores
O Tu-22M3 é equipado com dois turbofans Kuznetosv NK-25 de 24.000 kgf de potência cada em pós combustão máxima, tal motor tem cerca de 77% a mais de potência que seu similar norte americano GE-101 que equipa o B-1B Lancer.
O NK-25 leva o Tu-22M3 a uma velocidade máxima de mach 2,05, que chega a ser superior aos F/A-18C/D e aos F/A-18E/F da USN, que são caças e os potenciais adversários do Tu-22M3 em caso de guerra, já que o Tu-22M3 tem como alvo principal as forças tarefa norte americanas baseadas em porta aviões.
Acima um vídeo gravado no ano 2000 de um Tu-22M3 realizando uma série de vôos rasantes em alta velocidade sobre uma base aérea da VVS.
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Desvantagens
O NK-25 tem a grande desvantagem de sua absurda assinatura ao radar, quando utilizado em pós combustão máxima, a chama produzida pelo motor é sem dúvidas absurda se comparado a qualquer outra aeronave, exceto o Tu-160 que utiliza motores NK-321 mais possantes ainda.
Seu enorme tamanho também é um grande problema, pois com 42 metros de comprimento e 23,30 m de envergadura mínima (a 65°), o Tu-22M3 tem quase o mesmo volume de um B-1B Lancer e é cerca de 3 vezes maior que um avião de ataque, como o F-15E Strike Eagle ou um Sukhoi Su-30 como pode ser visto na foto acima (ao lado de dois Su-27).
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Tal problema foi a causa do único deles abatido em combate, durante a Guerra da Georgia em 2008, quando um Tu-22MR (versão de reconhecimento) foi abatido pelo sistema soviético BUK-M1 usado pelas forças terrestres georgianas.
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Usuários
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Ao todo foram construídos 497 Tu-22M, incluindo os modelos já retirados Tu-22M, M1 e M2, além da variante de reconhecimento eletrônico (ELINT) Tu-22MR abaixo.
Ao total, 12 MR foram contruídos e um deles foi abatido. A Rússia ainda mantém 90 Tu-22M3 na reserva, cerca de 93 na VVS (Força Aérea) e 58 na AVMF (Aviação Naval). 
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Com o colapso da URSS no início dos anos 90, alguns Tu-22M3 ficaram na Ucrânia, que posteriormente em uma negociação com a Rússia e os EUA, eliminou quase todos seus Tu-22M3.
 Acima um Tu-22M3 ucraniano.
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A ucrânia ainda mantém um Tu-22M3 em condições de vôo, porém o mesmo não está ativo em serviço na força aérea.
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 Acima um Tu-22M3 da AVMF (Aviação Naval Russa)
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A Marinha Indiana também utilizou durante algum tempo três Tu-22M3 alugados pela Rússia, porém atualmente já não possuem mais essa aeronave.
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A China quer adquirir o avião a qualquer custo, já que essa tecnologia aliada a tamanha confiabilidade é inexistente em qualquer outra aeronave de porte similar jamais construída, dos 497 somente um caiu em 2004.
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Porém a negociação Rússia/China sobre o assunto está sendo empurrada com a barriga, pois a China deseja comprar não só os 35 Tu-22M3 encomendados, mas também sua linha de produção, encerrada pela Rússia em 1997. Recentemente foi divulgado que a Rússia passaria a linha de produção à China, mas não se passa de negociações, pois no Governo Russo muitos são contra essa transferência de tecnologia.
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Obsolência
Muitos dos 150 aviões ativos na Rússia estão claramente desgastados, já que os modelos em uso podem ter até mais de 20 anos de serviço. 
Como sua produção foi encerrada a 16 anos, os Tu-22M3 remanescentes recebem peças canibalizadas dos M3 que já foram retirados do serviço, e que permanecem apodrecendo ao tempo nas bases russas. Mais de 200 Tu-22M apodrecem pela Rússia nos dias de hoje.
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Modernização
O cockpit é típico de um avião soviético, com pouca aparelhagem eletrônica, mesmo assim, o avião voa muito bem.
Até simuladores modernos e computadorizados foram recentemente desenvolvidos para os pilotos desse avião, que ficará em serviço até 2030 com as modernizações previstas para o novo padrão M3M.
Como o Tu-22M3 foi construído em grande escala, diferentemente dos dois outros grandes supersônicos da atualidade (B-1B e Tu-160), ele possui seu próprio treinador, o Tu-134LL, que convertido a partir do Tu-134 comercial, recebeu todos aviônicos do Tu-22M3 para treinar pilotos em vôo.
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Futuro
Apesar de grande e facilmente visível aos radares inimigos, o desempenho do Tu-22M3 aliada a sua confiabilidade é de longe superior a qualquer outra aeronave de ataque existente, assim em um programa que teve início recentemente, a Rússia pretende atualizar 30 Tu-22M3 para o padrão M3M (acima), que além de atualizar seus aviônicos, prevê a instalação de novas armas guiadas e novos sistemas de defesa, que visam torná-lo menos vulnerável em combate.
 Acima o painel do M3M.
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Como considerações gerais, o Tu-22M3 é um potencial adversário as forças tarefa da USN, portanto mesmo com a produção e implantação do novo Sukhoi Su-34 de ataque ao solo, menor e mais econômico, o Tu-22M3 ainda é insuperável, e permanecerão em serviço até a entrada do futuro bombardeiro stealth russo, o PAK-DA, previsto para o ano de 2030.
Enfim temos de concordar que o Tu-22M3 ainda é (e será por muitos anos) uma pedra no sapato do ocidente... Para muitos é uma verdade dura de ser engolida.
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Mais sobre o Tu-22M3 em:

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