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sábado, 5 de janeiro de 2013

Supercruise - Velocidade Supersônica de Cruzeiro

Para quem ainda não conhece, o termo supercruise (super cruzeiro) é utilizado hoje na aviação de caça para determinar aviões de combate com capacidade de atingir velocidades supersônicas sem o uso da pós combustão.
Para quem acha que o "avião invisível" ou stealth fighter é imune a assinatura infravermelha, como o F-22 Raptor acima, queimando e "pós combustão máxima", abaixo segue como ele é visto pelos rastreadores e mísseis orientados por infra vermelho, IR de infra-red como é conhecida a sigla utilizada na aviação de caça.
Como qualquer outro avião, tanto o Raptor, como o Lightning II, o Sukhoi T-50 e os protótipos chineses J-20 e J-31, são localizados facilmente por qualquer aeronave com o rastreador ou se vistas a olho nu, pelos mísseis com orientação IR (infra red).
Acima, uma foto colorida de um F/A-18 da USNAVY em fase de decolagem visto por um rastreador IR.
O rastreador IR consegue localizar aeronaves em vôo além do campo visual do piloto, em média tem alcances variando de 30 a 50 km, porém em alguns modelos como o utilizado pelos caças russos, o alcance chega a cerca de 90 km, isto é, cerca de 20% superior a arma de combate mais utilizada pelos países ocidentais e da OTAN, o AIM-120 AMRAAM.
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Atualmente quase toda força aérea no mundo utiliza mísseis guiados pela emissão de calor, pois esses são em geral baratos, pequenos e de fácil operação.
A-29 Super Tucano armado com mísseis IR.
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Até aeronaves pequenas como helicópteros ou aviões de apoio aéreo, contra insurgências e bombardeiros podem transportar pequenos mísseis IR para serem disparados em aeronaves hostis até cerca de 20 km.
O míssil IR é tão fácil de ser desenvolvido que até o Brasil produz o MAA-1 Piranha (acima) com alcance de 12 km.
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Recentemente em visita à Rússia, nossa querida presidente Dilma Roussef, fez uma encomenda de 100 mísseis Igla (acima) orientados por IR para complementar a defesa aérea de nossa Pátria.
acima, lançadores de mísseis Igla montados em um veículo
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O Igla-S tem a capacidade de destruir alvos detro de uma distância de até 5200 metros e uma altitude de 3500 m com uma velocidade de mach 2,3.
Mesmo com um alcance modesto, a arma é hoje a mais letal contra qualquer aeronave militar em vôo baixo, incusive aviões não tripulados espiões. O Igla tem a vantagem de ser portátil, sendo tranquilamente disparado por uma pessoa, como se vê na foto acima.
 Stinger e fuzileiros navais norte americanos
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Desde que entrou em serviço em 1983, o Igla é sem dúvida a responsável por abater a maioria das aeronaves em quase todos os conflitos, óbvio, desde que um dos lados a tenha. Os EUA também possuem uma arma similar, porém inferior com alcance menor de 4800 m.
Hoje o Stinger, que é visto na foto acima sendo disparado por soldados nore americanos, é usado por 33 países e o Igla-S russo por 64 (quase o dobro), devido a seu menor preço e maior eficiência.
 Nem todos aviões de combate podem ser destruídos pelos pequenos mísseis lançados de solo, como o Mig-25 russo acima, pois tais aviões possuem teto de cruzeiro de 20.000 m e velocidades superiores a mach 3, mas mesmo esses são alvos fáceis para os novos e poderosíssimos mísseis da família Vympel R-27.
Vympel R-27D montado em um caça chinês
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 A terrível arma pode ser lançada de caças como o Mig-29, Su-27 e Su-30, em quase todas suas versões. O R-27D acima, é o modelo mais antigo e atualmente exportado para 27 países incuindo os EUA. A arma de fabricação soviética entrou em serviço em meados dos anos 80 devida a ameaça dos novos aviões de baixa assinatura ao radar (stealth), na época em desenvolvimento nos EUA.
Os EUA utilizam o seu concorrente AIM-9X Sidewinder (acima) mas com um alcance de 35,4 km, o míssil norte americano tem metade do alcance do R-27D russo, sendo assim os EUA adquiriram algumas dessas fantásticas armas para adquirir tecnologia para criar um sucessor do Sidewinder.
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Porém dentre todos mísseis ar-ar de orientação IR, a mais temida pelos EUA é a última versão do Vympel R-27, o modelo R-27ET visto acima sob a asa de um Su-35BM (protótipo). O R-27ET tem um alcance de 120 km, isto é, cerca de 20% acima do AIM-120C usado atualmente pelos EUA. O R-27ET é usado hoje somente pela VVS (Força Aérea Russa) em caças como o Su-27SM (todas versões), Mig-29SMT e modelos mais novos (Mig-29K) além é claro do Su-35S que começa a integrar as linhas de frente da VVS.
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SUPERCRUISE
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Com grande inferioridade dos sistemas de contra medidas lançadas pelos caças, as forças aéreas do mundo todo sentiram a necessidade de novos caças que pudessem atingir velocidades supersônicas sem o uso do pós combustor, diminuindo assim sua assinatura infra-vermelha.
Caças F-15C da USAF lançando contra medidas defensivas IR
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O "flare", tem como finalidade confundir os mísseis orientados a infra vermelho, mas não são totalmente eficazes, portanto surgiu a idéia de diminuir a assinatura dos motores do caça para otimizar as chamas do sistema flare.
Acima um Su-35BM lança uma enorme quantidade de flare misturada a fumaça e palha de alumínio, com a finalidade de confundir não só os mísseis IR, mas também os guiados a radar (ou radar ativo) com a palha de alumínio e a fumaça para confundir pilotos adversários.
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Na atualidade SOMENTE 6 aviões de combate possuem a capacidade real de super cruzeiro, são eles:
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F-22 Raptor
O temível caça de superioridade aérea F-22 Raptor da USAF é o único avião americano com capacidade de vôo supercruise. A USAF conta hoje com 187 Raptors em serviço.
Mais sobre o Raptor em:
Top 10 aviões de combate
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Sukhoi Su-35S
O novo Su-35S que acaba de entrar em serviço na Força Aérea Russa (VVS), também possui tal capacidade. Atualmente em torno de 10 Su-35S estão em serviço, mas a VVS pretende receber mais 48 caças desse tipo até 2015.
Mais sobre o Su-35 em:
Sukhoi Su-35S
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Mig-31 e Mig-31BM
O Mig-31 apesar de ser desenvolvido nos anos 70, possui monstruosos motores DF-30 que permitem que o interceptador atinja fácil a velocidade de cruzeiro sem o uso do afterburner (pós combustor).
Mig-31BM
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Tanto o Mig-31 como sua versão modernizada, o Mig-31BM estão em plena atividade e representam hoje a maior parte dos caças russos com capacidade real de supercruise com cerca de 280 em serviço (ambas versões).
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Além da Rússia, cerca de 30 Migs-31 também são utilizados pelo Cazaquistão (acima).
Mais sobre o Mig-31 em:
Top 10 aviões de combate
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Chengdu J-10
O recente caça monomotor multifuncional J-10 que entrou em serviço em 2005 é o único dentre todos monomotores a possuir real capacidade de super cruzeiro,  afinal utiliza o possante motor russo Lyulka Saturn AL-31FN de 13.000 kgf de potência.
O J-10 é dentre todos também o mais acessível dos Supercruise, pois custa cerca de 28 milhões de dólares americanos, isto é, quase um décimo do F-35C Lightning II !!!
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Porém como o avião é muito recente, somente a China (305) e o Paquistão (36) o utilizam na atualidade.
Mais sobre o J-10 em:
Top 10 caças médios
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Eurofighter Typhoon
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A mais recente conquista da União Européia também tem a capacidade total de supercruise.
Usado hoje por 7 países, o Eurofighter é uma excelente opção para os mais "abonados" (US$ 125 milhões) como caça multifunção com capacidade para super cruzeiro. Cerca de 570 caças desse modelo estão em serviço na atualidade, porém esse número continua crescendo devido a burocracia norte americana em vender caças, mesmo para seus aliados.
Mais sobre o Typhoon em:
Top 10 aviões de combate
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Dassault Rafale
O Rafale também possui capacidade total de super cruise garantida, além de ser usado pela França, que tem hoje pouco mais de 100 Rafales, o aviçao foi encomendado pela Índia e concorre para ser o novo avião de defesa do Brasil.
Mais sobre o Rafale em:
Top 10 aviões de combate
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FUTURO
É previsto também que alguns outros caças possam ter ou venham em suas versões mais modernas a empregar a tecnologia do supercruise, são eles:
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JF-17 Thunder
O caça leve fruto de uma união entre a China e o Paquistão provavelmente pode conseguir o supercruise.
As fontes ainda não são confiáveis, assim como o próprio JF-17, mas sem dúvida é uma possibilidade que não pode ser descartada.
Mais sobre o JF-17 em:
Top 10 caças médios
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AIDC F-CK-1 Ching Kuo
O taiwanês Ching Kuo tb pode ter esse capacidade, mas nada comprovado.
O Ching Kuo sem dúvida possui um design elegante, tecnologia e preço acessível, mas é usado hoje somente por Taiwan.
Mais sobre o Ching Kuo em:
Top 10 caças médios
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Gripen NG (Next Generation)
O Gripen NG (Next Generation) segue a linha do J-10 chinês com a capacidade total de super cruzeiro, porém o modelo ainda é um protótipo, podendo ter sua produção inicada agora esse ano.
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O Gripen NG também concorre dentro do Programa Brasileiro FX-2
Mais sobre o Gripen em:
 Gripen
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Sukhoi T-50 (PAK-FA)
Se correr tudo dentro do previsto, em 2015 o T-50 entrará em serviço sendo o mais possante dentre todos os supercruise.
Com dois motores Lyulka AL-41 de 17.800 kgf de empuxo cada, o T-50 é de longe o caça mais possante (em termos de motor) dentre todos jamais construídos. Se o Raptor atinge o supercruise com 20% a menos que isso, certamente o T-50 será dentre todos o mais rápido dos super cruzeiros.
Mais sobre o T-50 em:
Sukhoi PAK-FA
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É possível também que os novos potótipos chineses J-20 e J-31 também possuam tal capacidade e que dentro de um futuro, ainda incerto, que uma nova versão do F-35 Lightning II venha a apresentar tal desempenho, por enquanto tais informações não passam de boatos dos entusiastas que defendem o lado americano.
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Se vc gostou dessa postagem veja também:
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Top 10 - Os melhores caças navais
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Estou fazendo uma pesquisa com os leitores do blog, se vc também quiser participar:
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Qual avião de combate que vc mais gosta ?

14 comentários:

  1. O J-10 é o cruzamento do Eurofighter Typhoon com o Lavi israelense, ambos horrorosos. A China não brinca, copia e aperfeiçoa, mas não sei se esse avião, cópia quase idêntica do Lavi é bom, o projeto foi cancelado há mais de 40 anos por Israel, tenho minhas dúvidas, na época talvez fosse bom...

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    1. Caraca meu, desenterrou esse do fundo do baú, cheio de teia de aranha e cheirando a naftalina kkkkkkkkkkkkk... Acho que se fazem uns 20 anos ou mais que não ouvia ninguém falar em IAI Lavi... O filhote de F-16 encruado Israelense.

      Apesar de antigo e desatualizado, acho o Kfir, o Dagger e o Nesher maravilhosos, adoro um "delta", mas o "Leãozinho" realmente era um filhote de cruz credo. Abração amigo Carlos.

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  2. Eu também! Mas o avião que eu mais gosto com asas em Delta é o Convair F-102 Delta Dagger , que cheguei a montar um kit Revell na época da adolescência, e o B-58 Hustler, este é danado de bonito e animal!!! Embora ache o Mirage III muito elegante também.

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  3. Sim lindíssimos !!! O B-58 sem dúvida é lindo !!! O Delta Dagger acho que tem uma deriva esquisita e tb não gosto das tomadas de ar.. Mas o irmão mais novo, o F-106 é maravilhoso ! Outro que acho demais é o Mirage IV ! Vc com teu conhecimento poderia me ajudar no blog né ! Meu emai é comesgoing@ig.com.br se vc tiver alguma matéria ou fotos interessantes, me mande que publico em seu nome ! Abração.

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  4. Por que não existe uma minigun para projéteis .40 (entre o .30 7,62 e o .50 12,7)? Seria tão difícil assim? Vejam a limitação do Super Tucano A-29, portando duas metralhadoras .50 com 200 projéteis cada.
    Um conjunto de duas miniguns com 2.000 projéteis cada pesariam apenas em torno de 350 a 400 kg, sobrando ainda mais 1.100 kg de outros armamentos. E não se compara o efeito de duas metralhadoras .50, com duas miniguns .40.
    Enfim, aí está a sugestão para a Embraer.

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    1. Olá Aurio, não sei exatamente a resposta para sua pergunta, mas desconheço armas de calibre 40 com balas do tipo 'garrafinha' como são as 7,62 (.30) e as 12,7 (.50). O problema da Minigun é que é uma arma bem mais cara e complexa que essas FN .50 usadas no A-29. A intenção Super Tucano é ser barato e de fácil operacionalidade, então as FN fabricadas na Bélgica sob licença da Browning se encaixaram perfeitamente na aeronave. O magazine do Super Tucano acho que é 800 ou 900 projéteis (para ambas) e não 400 como vc disse.

      Obrigado pela participação.

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    2. Áurio, me diga pra que um avião da categoria do A-29 precisaria de uma minigun.... Em lugar algum do mundo isso foi feito, simplesmente porque esses aviões não foram projetados para empregar essas armas. As 12,7 dão perfeitamente conta do recado, OK?

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    3. Sem contar que o calibre 0.40 simplesmente não existe.

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  5. Gostaria de saber se em voo super cruzeiro os aviões fazem o barulho do boom sonico o tempo todo ou só quando rompem a barreira pois ouvi dizer que após quebrar a barreira do som o barulho acaba .

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    1. O barulho cessa após o rompimento da "barreira" e a partir daí o voo é silencioso. Seja qual for o caso, voo normal ou supercruise, o princípio é o mesmo.

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  6. Oi Roberto, já vi alguns aviões em vôo supersônico (F-5 Tiger, F-4 Phantom, F-14 Tomcat e F-15 Eagle), o barulho continua sim, mesmo depois de atingirem mach1, já os vi no mar (os F-14), e fazem um barulho absurdo mesmo depois de desaparecerem de vista... porém nunca vi, ou ouvi um avião em supercruise...

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    1. Você está equivocado, o barulho absurdo a que se refere é o som dos motores mesmo. A explosão (som) após ultrapassar Mach 1 cessa logo depois, não faria sentido algum nas leis da Física se ele continuasse (não teria havido rompimento da barreira).

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  7. O Gripen NG, na fase de testes inicial, voou em supercruise já no ano de 2009. Portanto, há um equívoco no texto quando diz que isso ainda é para o futuro.

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  8. Recentemente em visita à Rússia, nossa querida presidente Dilma Roussef...O míssil IR é tão fácil de ser desenvolvido que até o Brasil produz o MAA-1 Piranha (acima) com alcance de 12 km...Aqui é um espaçõ técnico ou político...

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