Pesquisar

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

North American XB-70 Valkyrie - O mais ambicioso projeto da aviação de combate mundial

Desenvolvido durante os anos 60, o projeto de bombardeiro estratégico norte americano de codinome XB-70 foi sem dúvidas o mais ambicioso de todos projetos de avião de combate, dentre os que realmente voaram.
O North American XB-70 Valkyrie teve sua fase de testes entre 1964 a 1969, porém o projeto supostamente já havia sido cancelado antes, por vários motivos controversos, mas dentre eles, os mais prováveis são em 1° por ineficácia perante os Mig-25 e mísseis V-750 soviéticos, 2° por ser instável e de dificil operacionalidade, 3° pelo alto custo e 4º por ser superado facilmente pelos mísseis balísticos.
Sua função única e exclusiva era de realizar um ataque com bombas nucleares dentro do território soviético em velocidade de mach 3 (3.400 km/h). Com essa velocidade o bombardeiro seria superior à qualquer interceptador ou míssil anti aéreo soviético.
Acima o XB-70 ao lado do avião foguete X-15.
Os dois protótipos construídos do XB-70.
O avião foi tão fantástico para a época que teve seu 'debut' comentado até pela Life.
Ainda da Life, uma imagem do XB-70 escoltado por um B-58 Hustler.
Com o avanço da tecnologia soviética anti aérea, a velocidade de mach 2 limitada do B-58 Hustler exigiu um avião muito mais capaz, que precisasse ter uma carga similar ou maior, com alcance similar ou maior porém com a velocidade muito maior.
O resultado do programa foi uma monstruosidade de 57,6 metros de comprimento e 115.000 kg quando vazio.
A capacidade total de combustível chegava a 136 toneladas,
que eram consumidas pelos 6 turbojatos GE-YJ93 de 12.800 kgf de potência cada (acima).
Apesar da aeronave ser projetada para Mach 3, o 1º protótipo teve várias placas de revestimento e painéis danificados pelo arrasto gerado pelo atrito com o ar e calor excessivo, quando o avião atingiu mach 3.08. O avião chegou a pousar com 60 cm da ponta de sua asa esquerda faltando !
Detalhe acima dos 6 (seis) aceleradores no cockpit.
Após a primeira decepção, o Valkyrie foi limitado então a velocidades de até mach 2,50, isto é, cerca de 10% abaixo do seu potencial inimigo durante a missão, o Mig-25.
Mesmo assim a fantástica aeronave fazia vôos de demonstração ao público, além de ser uma plataforma de testes para uma futura geração de aviões supersônicos.
Como forma de reduzir a turbulência causada por grandes derivas, o XB-70 possuía enormes aerofolios móveis nas pontas das asas.
Tal sistema funciona como as guias de fluxo montadas nos únicos bombardeiros realmente supersônicos atuais, o Tupolev Tu-22M3 e o Tu-160.
Acima e abaixo, o detalhe da movimentação do aerofolio de ponta de asa em vôo.
Em 1966, depois de 2 anos do seu vôo inaugural, o 2º protótipo sofreu um controverso acidente durante uma formação de demonstração, onde o Valkyrie era acompanhado por caças da época.
Na imagem é possível visualizar um T-38 Talon, um F-4 Phantom, um F-104 Starfighter e talvez um F-5 Tiger.
Supostamente de acordo com a 'maquiada' informação oficial norte americana, o piloto do F-104 tocou a asa do Valkyrie em vôo, casuando assim a destruição do seu próprio avião (F-104) e a perda de controle do Valkyrie, que o fez praticamente explodir em vôo.
Como toda informação oficial norte americana, existe uma certa controvérsia, pois o F-104 foi um avião largamente empregado em formações aéreas e equipes acrobáticas devido à sua confiabilidade... Bem diferente da enorme instabilidade gerada pela turbulência nessas grandes aeronaves supersônicas de asa fixa.
Supostamente devida a sua instabilidade, o Valkyrie que tocou com a ponta de sua asa o F-104, que como o piloto estava atento em manter a formação, não percebeu até o momento do impacto. Bem a verdade é que o projeto foi abandonado durante o período de testes e o fabricante (North American) foi 'comprado' pela Rockwell.
Após ser limitado a mach 2,5, ter sofrido o acidente e levar a falência o maior produtor de aeronaves de combate da época, o belíssimo mas problemático Valkyrie nº 1 é levado para seu descanso.
Durante algum tempo a fantástica aeronave ficou exposta, mas com o passar dos anos ela foi transferida definitivamente para o Museu Nacional da USAF na base aérea de Wright Patterson em Dayton, Ohio.
Abaixo segue um comparativo entre o XB-70 com outros bombardeiros estratégicos supersônicos, assim como a % de aeronaves perdidas em acidentes.
Muitos me criticam por 'defender' o lado russo, mas sem preferências e estatísticamente falando, a confiabilidade e a capacidade russa de produzir bombardeiros supersônicos é de longe muito superior a norte americana, mesmo tendo esses últimos 'supostamente' falando os melhores bombardeiros do mundo.
*

4 comentários:

  1. Aeronave pra lá de bizarra, mas que apesar do tamanho imenso e peso alcançava mach 3, só conheço o SR-71, B-58 Hustler e MIG-25 que atingiam velocidades tão altas. E o North American X-15, que chegava a mach 7, mas era por intermédio de foguetes. Ao que parece o F-104 Starfighter chegou mesmo muito perto da asa do XB-70, cuja ponta é angulada para baixo gerando grandes vórtices que tragaram o pobre avião. Foi erro do piloto, parece. Não sei onde vc encontrou a informação de que o F-104 era confiável, o apelido dele era "caixão voador" ou esquife voador conforme a tradução, houve tantos acidentes e mortes de pilotos que abandonaram este avião, que tinha asas muito finas e pequenas, e um motor muito forte. O Starfighter foi um interceptador de alta performance, superveloz, mas sujeito a muitos acidentes, foi um avião infeliz. Que eu saiba o XB-70 foi um dos primeiros aviões a jato a usar canards totalmente variáveis e dois estabilizadores verticais, este foi um avião que se pode dizer Avançado, que perdeu a utilidade devidos aos mísseis superfície-ar soviéticos.
    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Por isso citei como 'controveras' a informação do acidente, pois tem gente que acredita ser culpa do F-104 e gente que culpa o XB-70. Na minha opinião particular, não confoi nas informações 'oficias' divulgadas pelo governo dos EUA, portanto estou do lado dos que acreditam que o culpado pelo acidente foi talvez o piloto que perdeu o controle devida a instabilidade do Valkyrie. Realmente é muito mais fácil para todos aceitarem que o F-104 tocou a asa do XB-70, porém é também difícil crer que a USAF fizesse um vôo com um protótipo caríssimo e único ao lado de uma aeronave não confiável...

    ResponderExcluir
  3. Flavio, não se trata de culpar A ou B, era um vôo promocional da General Electric, que reuniu aviões que usavam motores GE. Na formação tinha F-4, um F-5, T-38, F-104N Starfighter da NASA e um Learjet (pasme!). Esse Learjet estava cheio de fotógrafos que faziam a sessão de fotos da formação GE, mas infelizmente o caixão voador (F-104) tinha que se aproximar da ponta da asa do XB-70 no momento que ela estava com diedro negativo gerando uma sucção monstruosa, deu no que deu. O F-104 era um interceptador veloz, talvez tenha tido sucesso em esquadrilhas da fumaça ao redor do mundo, mas como avião de combate foi um desastre, se me permite o trocadilho...

    ResponderExcluir
  4. Só acho que o XB-70 deveria apresentar mais problemas que qualquer outro avião supersônico de grande porte... e que o acidente pode sim ter a causa do F-104 (por isso cito que o assunto é controverso), mas certamente mesmo que a URSS não tivesse os V-750, os Mig-25 e os EUA não tivessem o ICBM, o XB-70 jamais entraria em opreacionalidade, pois não seria um caixão, mas um cemitério interiro voador, pois ele realmente era demasiadamente ousado para sua época e a tecnologia que tinham... Ele era mesmo instável... assim como os primeiros Concordes e Tu-144.

    ResponderExcluir