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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aviões de combate - Panorama Mundial -parte2 América do Sul

Hoje a américa do sul não representa nada no mercado mundial de aviões de combate. Sua fatia é ínfima e seus pedidos e compras exremamente confusos, vítimas da falta de verbas e burocracias impostas pelo governo dos EUA. Quase todos modelos são obsoletos, os que não são, tendem a desatualização devida a falta de verbas e do descaso dos EUA com os caças vendidos para nós na época da ditadura militar. Quando me refiro a nós, não me refiro somente ao Brasil, mas a todos outros países da América do Sul.
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Brasil
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A nossa querida FAB tem hoje a árdua tarefa de patrulhar 8,5 mi. de km² com somente 69 caças, proporcionalmente é a PIOR DEFESA AÉREA DO MUNDO ! Cada caça temum terreno quase do tamanho do Uruguai para patrulhar ! Mesmo assim ainda sonhamos em ter uma Super Força Aérea equipada com os mais modernos e poderosos aviões de combate, mas voltando a dura realidade, a lista dos aviões de combate fabricados pelo Brasil:
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A-29 Super Tucano 
O desenvolvimento do Tucano gerou um avião único, com capacidades de treinamento e ataque, com uma excelente durabilidade, facilidade de manutenção e custo acessível.
 
Particularmente não entendo de aviões de treinamento, muito menos turbo-hélices, mas pelo pouco que sei, o A-29 é o melhor de sua categoria no mundo. Hoje além de nós, mais 8 países utilizam o avião.
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Tal quantidade limitada de clientes é causada pela política dos EUA em "proibir" o comércio do avião a países "não-desejáveis", óbvio aos EUA. Sei que a Raytheon e a Pratt Whitney, ambas empresas norte-americanas que fornecem os eletrônicos e o motor (nessa ordem), não autorizaram a venda do nosso produto ao colega e vizinho Camarada Chavez.
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Potencialmente países como a Síria, Iraque, Líbia, Irã, dentre outros poderiam ser clienetes do Brasil ajudando o nosso desenvolvimento se não fosse a imposição ao comércio de material bélico a quem não lhes agrada. O próprio país (EUA) tenta acabar com o mercado mundial do Super Tucano para vender o novo treinador T-6 de fabricação americana e muito similar ao A-29 que ficou com o Tio Sam... estranho...
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O A-29 possui uma certa capacidade de ataque, alguns países como a Rep. Dominicana, pintam ele com um ar de "warbird" mais agressivo, mas sua principal função é patrulhar as imensas fronteiras do Brasil.
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Já viajei de carro pelas estradas do Pantanal e próximas a fronteira com o Paraguay (em minhas pescarias) e tive a honra de ser sobrevoado por dois desses magníficos aviões. Lamentávelmente eu estava dirigindo e não tive tempo de fotografá-los, mas a cena foi incrível.
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AMX
A proposta Brasileira/Italiana de construir um avião de ataque leve, barato e sem radar, gerou um avião limitado e de baixa aceitação, o AMX International.
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Sua função principal é o apoio aéreo cerrado, ou seja, defender tropas no solo durante um conflito. Dentre os similares para essa função no mundo temos o Fairchild A-10 Thunderbolt II e o Sukhoi Su-25, porém o AMX é um avião muito, mas muito mesmo, mais limitado que seus dois outros concorrentes.
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Tecnicamente ele só pode ser comparado ao Hawk britânico e ao J-22/IAR-93 iugoslavo/romeno, porém o Hawk tem 14 usuários contra 2 do AMX, e o J-22?IAR-93 foi projetado e construído por dois países com poucas condições em uma época difícil, durante o domínio militar soviético no Leste Europeu, além é claro de possuir uma velocidade pouco acima de mach 1.
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 Inicialmente outros países ainda se interessaram pela compra do AMX, como a Tailândia, que futuramente comprovou o fracasso do avião e desistiu da compra e o Iraque, que teve seus 40 AMX cancelados por ordem do Congresso dos EUA sobre o Governo do Brasil, devido ao embargo militar imposto a força pela ONU. Hoje só o Brasil e a Itália utilizam o avião.
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Argentina
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Fora o Brasil a Argentina é nosso único vizinho a produzir aviões de combate:
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FMA IA-58 Pucará
O Pucará é um avião de patrulha aérea e contra-insurgência, similar em função ao nosso Super Tucano e ao norte-americano Bronco. O avião é limitado e obsoleto, mas orgulhosamente argentino, sem dependências dos EUA. Ao todo cerca de 150 a 160 desses aviões foram produzidos entre 1976 e 1986, dos quais 5 estão servindo a Força Aérea Uruguaia e 34 na Argentina.
FMA IA-63 Pampa II
O Pampa é um treinador com capacidade de ataque desenvolvido pela FMA (Fábrica Militar de Aviões - Argentina) no final dos anos 80. Seu design lembra o franco/alemão Alpha Jet, com asas altas. Hoje a FMA foi comprada pela Lockheed Martin, que auxilia a Argentina com seus A-4R Fightinghawk. De 1988 para cá, somente 27 aviões foram contruídos, e com a parceria norte-americana o governo argentino pretende aumentar a quantidade desses treinadores tanto na marinha como na força aérea.
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Outros países:
Muitos países da América do Sul possuem poucos e limitados aviões de combate em suas forças aéreas, não citarei todos, pois não vejo necessidade de comentar sobre aviões de combate da 1° geração, pré-coréia, que ainda são mantidos em serviço por nossos vizinhos, como por exemplo (abaixo), o Canadair CT-33 boliviano, que é uma cópia exata do caça norte americano F-80, o primeiro caça a jato operacional nos EUA.
CT-33 da Força Aérea Boliviana.
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Chile
A Força Aérea Chilena é a única vizinha nossa a receber equipamento militar norte americano com tecnologia de ponta, como seus 10 F-16 Block50/52, o mesmo modelo usado pela USAF e pela Força Aérea Israelense.
O F-16C/D Block 50/52 se difere dos modelos anteriores, externamente pelos tanques de combustível conformais atrás do cockpit, que aumentam significativamente o alcance do avião com o mínimo de arrasto aerodinâmico. Porém sua grande diferença está no radar AN/APG-68 e na possibilidade da utilização do AIM-120 AMRAAM, o míssil de médio alcance utilizado pelas mais modernas forças aéreas do mundo, incluindo a própria USAF.
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O radar Westinghouse AN/APG-68 com um alcance de 300 km só é superado na América do Sul pelo Phazotron Zhuk-M (N010) utilizados pelos Su-30MKV venezuelanos.
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Colômbia
A Colômbia possui algumas aeronaves de combate muito antigas ou limitadas, mas também possui 20 magníficos IAI Kfir de fabricação israelense.
Acima os Kfir colombianos em um exercício militar nos EUA.
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Sempre gostei dos caças Delta, talvez por ser coisa de moleque que viveu a década de 70 vendo as vitórias dos Mirage III sobre os Mig-21, mas de todos acho o Kfir o mais fantástico e letal. Não posso afirmar, mas creio que os mais modernos Kfir, os C. 10 e C. 12, recebidos em 2007 já com mísseis Phyton 3, podem ser rivais a altura de nossos Mirage 2000.
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Equador
A Força Aérea Equatoriana tem hoje 61 aviões de combate, sendo que o país possui uma pequena área territorial e passe por uma crise financeira que se estende a anos.
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 O Ecuador opera uma variedade de aviões de combate um tanto inusitada, para um país da América do Sul. Acima, o Cessna A-37 Dragonfly de meados dos anos 60 ainda é utilizado pela Força Aérea Ecuatoriana.
 O A-37 já está obsoleto a mais de 30 anos, portanto está sendo gradativamente substituído pelo Super Tucano fabricado pela Embraer. O Ecuador utiliza hoje 8 Super Tucanos e tem a encomenda de mais 10 prevista para o próximo ano.
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Os principis caças do Ecuador são o Mirage F-1, caça de 3º geração de fabricação francesa e o Kfir de 4º geração israelense.
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O Atlas Cheetah acima é um produto Sul-Africano derivado do Mirage III e do Kfir, utilizado hoje somente pelo Ecuador como caça e avião de ataque.
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Recentemente com a aquisição dos novos Su-30MKV, a Venezuela doou seus 6 antigos Mirage 50 de ataque ao Ecuador. O Mirage 50 é um derivado do Mirage III que a FAB operou a anos atrás, porém o 50 não possui um radar como o III pois é um modelo otimizado para ataque ao solo por mira ótica.
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Perú
O Perú foi o primeiro país sul americano a utilizar um caça realmente BVR (beyond-visual-range), ou seja, com alcance de combate além do campo visual do piloto.
 A força de combate peruana se baseia em aviões como o Mig-29 e o Mirage 2000 desde o final dos anos 80, sendo que o Mig-29 peruano utiliza o míssil R-27, que em sua versão de exportação tem cerca de 70 km de alcance, contra 57 do nosso Derby, adquirido só recentemente pela FAB.
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 A Força Aérea Peruana também conta com 18 Sukhoi Su-25 para ataque e apoio aéreo.
 O Su-25 é um avião soviético de ataque leve utilizado para apoio aéreo por 19 países além do Perú. Sua capacidade de combate não é nem próxima a dos tops de ataque das superpotências, mas seu cockpit blindado, sua facilidade de operação, baixo custo, robustez e principalmente experiência real de guerra, o fazem o mais temível avião de ataque da América do Sul.
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Além dos Su-30MKV venezuelanos, os Mig-29 peruanos são os únicos aviões na América do Sul a utilizarem o míssil R-27 (acima). Sua versão de exportação não tem os 130 km de alcance do modelo russo original, mas com o alcance variando de 70 a 80 km, o R-27 é comparável em categoria ao AIM-120 AMRAAM utilizado pelo Chile.
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Recentemente a Força Aérea Peruana vem atualizando seus Mig-29M para o padrão SMP (exportação), que é o mesmo SMT utilizado pela VVS (Força Aérea Russa).
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Venezuela
A nossa vizinha conta hoje com uma força de 33 caças, além de alguns aviões de ataque e apoio aéreo atigos ou de baixa capacidade.
A força de caças do Camarada Chavez consiste em 24 Su-30MKV adquiridos da Rússia em meados dos anos 2000 e 9 antigos F-16A/B (Block 15).
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O F-16 Block 15 venezuelano ainda possui o antigo radar APG-66 da década de 70, que possibilita a orientação do míssil Sparrow (AIM-7) que já não é mais produzido a anos. O avião sofre pelo embargo norte americano referente ao comércio de tecnologia militar à Venezuela com uma desatualização e quase inutilização total.
 Sem dúvida o avião não é o ideal para o Brasil, mas seria uma bela visão em uma base da FAB essa impressionante fileira com o 24 Su-30MK, como a Venezuela tem...
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Por mais desfavorável que seja a economia do país e a diferença de tecnologia que existe entre Rússia vs Venezuela, não podemos negar que a combinação de Su-30MKV, com radar Phazotron Zhuk N010 e míssil Vympel R-27D é a mais poderosa configuração de caça a operar atualmente na América do Sul.
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Gostei dessa foto, de uma cadete da Força Aérea Venezuelana.
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Se vc gostou leia tb a 1º parte:
Aviões de combate - parte 1º Asia
Em breve:
 Aviões de combate - Panorama Mundial -parte3

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