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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Defesa naval parte 1 - CIWS

CIWS ou em inglês Close-in Weapon System, é um sistema de armas de defesa a curta distância, contra mísseis, aeronaves e pequenas embarcações.
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Na área naval, o CIWS normalente é compreendido em um canhão rotativo de grande cadência de fogo montado em uma torre móvel com um radar acoplado, que lhe permite a ação automática em um instante de perigo.
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Acima um vídeo de demonstração do CIWS holandês Goalkeeper (goleiro) montado com um canhão GAU-8A Avenger fabricado pela General Electric (USA) com 7 canos de 30 mm.
O canhão GAU-8 impressiona ao lado de um automóvel.
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Desenvolvimento
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Sem defesas anti-míssil a fragata inglesa HMS Sheffield foi um alvo fácil para um Exocet de fabricação francesa, disparado pela Argentina durante o conflito nas Ilhas Malvinas em 1982.
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O CIWS foi desenvolvido a partir de experiências em guerra como exemplo a Guerra das Malvinas e o afundamento de um destróier israelense por um míssil de fabricação russa P-15 Termit durante a crise no Oriente Médio na década de 60. A idéia da criação de um sistema de defesa próximo vem da possibilidade de se conseguir destruir um alvo pequeno vindo em grande velocidade até o navio.
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Aviões, navios e submarinos são alvos grandes e detectáveis a grande distância, para evitar que lancem seus mísseis existem contra medidas defensivas de longo alcance como canhões, mísseis e torpedos, mas as vezes tais medidas não funcionam e a embarcação consegue detectar somente o míssil em vôo, normalmente já muito próximo do impacto.
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CIWS norte americano Phalanx MK-15 com um canhão Vulcan de 6 canos com 20 mm cada.
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Assim foi projestado um sistema de canhão com grande cadência de tiro, em torre móvel acoplado a um radar, contra mísseis hostis próximos e rente a superfície do mar.
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Idéia antiga
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Na URSS, o desenvolvimento de mísseis anti-navio recebeu maior ênfase que nos EUA devido a grande ameaça da poderosa US-Navy coms suas forças tarefa baseadas em porta-aviões. Com o desenvolvimento dos mísseis também houve a necessidade de criação de um sistema de defesa contra tal ameaça. Assim muito antes do aparecimento do CIWS a URSS já implantava em seus navios o sistema de defesa com o canhão AK-630 com 6 canos de 30 mm.
O AK-630 de fabricação soviética.
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O AK-630 é fabricado até hoje e instalado em quase todos navios de guerra de fabricação russa devido à sua simplicidade, mobilidade e cadência de tiro.
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Alcance do tiro
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 O projétil explosivo utilizado pelos CIWS tem um alcance variável entre 2000 m a 5000 m (em média) de acordo com o tipo de canhão, porém sua eficiência contra mísseis é maior próxima a 500 m.
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Tipos de CIWS
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Hoje vários países produzem CIWs porém em sua maioria são constituídos de canos duplos em torretas convencionais, isto é, sem o radar acoplado.
O sistema Dardo italiano é um exemplo de CIWS simples e barato, o modelo é fabricado pela Oto Melara e seu canhão duplo Breda de 35 mm é fabricado na Suécia. A desvantagem desses sistemas é sua baixa cadência de tiro, se comparados ao mais caros canhões gatling (rotativos), que são utilizados pelas marinhas das grandes potências militares.
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Um canhão duplo tem uma cadência máxima de tiro de cerca de 900 tiros por minuto, um rotativo tem uma cadência entre 3000 a 6000 tiros por minuto.
A Espanha chegou a desenvolver o Meroka, um CIWS com 12 canos fixos de 20 mm, mas devido ao superaquecimento dos canos, a arma dispara no máximo 1440 tiros por minuto, isto é, cerca de 1/3 de um canhão rotativo.
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O CIWS H/PJ-12 da Marinha do Exército de Libertação Popular da China utiliza um canhão rotativo com 7 canos de 30 mm com cadência de fogo de 5800 tiros por minuto. O H/PJ-12 conta com um sistema eletrônico e ótico de localização e rastreio de alvos.
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 O CIWS de maior cadência de tiro na atualidade é o Sistema Kashtan de fabricação russa. O Kashtan tem dois canhões GSh-30K com 6 canos de 30 mm cada e cadência de tiro de até 12000 disparos por minuto.
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Eficiência em combate
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Até hoje não existe uma comprovação da eficiência do sistema CIWS em combate real, em vários testes o sistema se mostrou eficaz, mas com a imprevisibilidade de uma situação real de batalha o CIWS não parece ter eficácia contra o ataque a embarcações.
Acima a imagem da fragata norte americana USS Stark após ser atingida por um míssil Exocet lançado for forças iraquianas no Estreito de Hormuz, mesmo que equipada com o CIWS automático Phalanx com 6 canos de 20 mm.
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O destróier norte americano USS Cole da Classe Arleigh Burke também foi vítima de um ataque mesmo com dois CIWS Phalanx. O ataque foi desferido pela Al-Qaeda em uma lancha pequena carregada com explosivos, que se chocou contra o casco do destróier blindado.
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O sistema Phalanx deveria ter funcionado automaticamente contra a lancha inimiga, como na imagem abaixo:
Onde o destróier russo Marechal Shaposnikov dispara o AK-630 contra uma embarcação pirata na Somália. Essa cena é real e interessante, de um canhão rotativo em ação durante uma situação real de combate.
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Um modo inteligente de enganar um sistema CIWS é a utilização de mísseis transportadores de torpedo, como o coplexo de mísseis Metel utilizado pela VMF. Como o míssil libera o torpedo a mais de 20 km do alvo, os disparos do CIWS não podem atingir nem o míssil pois está além do seu alcance e nem o torpedo que vem submerso.
Complexo de mísseis Metel em uma fragata da classe Burevestnik da Frota Russa do Mar Negro.
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Futuro
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O canhão CIWS possui eficácia comprovada em testes contra mísseis subsônicos, mas são certamente ineficazes contra os poderosos mísseis supersônicos utilizados pela Marinha Russa.
 O Moskit é um míssil anti-navio desenvolvido pela URSS largamente empregado em embarcações de combate da Marinha Russa, atualmente ele também equipa alguns destróieres chineses. Se o CIWS se mostrou ineficaz contra um Exocet a 880 km/h, certamente não fornecerá defesa eficaz contra um Moskit em velocidade terminal de 2600 km/h.
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 O surgimento de novas armas anti-navio como o Brahmos (acima) com velocidade terminal de mach 3 (3200 km/h) fez com que a VMF e a US-NAVY desenvolvessem um novo sistema de defesa naval de curta distância. A Rússia já tem operacional o Kashtan-M:
O Kashtan-M combina a cadência de tiro de dois canhões rotativos GSh-30k de 6 canos com 30 mm cada com oito tubos de míssil 9M311.
O míssil 9M311 auxiliado por um impulsor, atinge até 3500 km/h e tem um alcance de até 10 km. O Kashtan-M pode disparar até 8 mísseis consecutivos com um tempo de recarga de 90 segundos para uma próxima salva (de mais 8 mísseis).
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A US-NAVY está em fase de testes do novo CIWS que diferentemente do russo não possui canhão. O SeaRAM visto na foto acima, mantém o mesmo sistema de radar do CIWS Phalanx, mas no local do canhão rotativo Vulcan o SeaRAM possui um lançador com 11 células para o míssil RIM-116.
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O míssil RIM-116 é utilizado pela US-NAVY desde a década de 70 em lançadores sem radar acoplado. O modelo se baseia no míssil ar-ar AIM-9 Sidewinder porém como é lançado ao nível do mar, o RIM-116 possui um alcance menor, com cerca de 9 km e uma velocidade também menor (cerca de 2100 km/h) que seu irmão lançado a partir de aeronaves.
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