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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cruzadores da Marinha Russa

 Pyotr Velikiy (Projeto 1144 Orlan)
São os maiores e mais poderosos navios de guerra do mundo, foram construídos de 1974 a 1996 nos Estaleiro do Báltico. Ao todo 4 navios foram construídos e hoje um deles está em serviço ativo como nau capitânea da Frota do Norte, um está em reformas e dois aguardam ser reformados para voltar à VMF antes de 2020.
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 Varyag (Projeto 1164 Atlant)
São cruzadores especializados no combate naval, seu sistema de 8 lançadores duplos de mísseis P-1000 Vulkan, o tornam o mais capaz dentre todos navios de superfície, tanto a realizar um ataque a uma força tarefa norte americana ou frota naval inimiga. Atualmente três estão em serviço na VMF e um aguarda a retomada do trabalho de construção.
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Kerch (Projeto 1134B Berkut-B)
O último de 7 navios do Projeto 1134B Berku-B, o Kerch é um cruzador anti submarino que faz parte da Frota do Mar Negro. Desde seu comissionamento em 1976 o Kerch já participou de várias missões no Mar Negro e no Mediterrâneo. De 2005 a 2006 o cruzador foi totalmente reformado para se manter em atividade até a entrada em serviço do Admiral Lobov.
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Hoje somente três marinhas operam cruzadores, são elas a US Navy com 22 navios da Classe Ticonderoga, a VMF com 5 navios e a Marinha Peruana com um cruzador da Classe De Zeven Provinciën, fabricado na Holanda. Algumas marinhas utilizam navios de grande porte, de deslocamento até superior aos cruzadores atuais com a designação de destróier. Tais navios são tão poderosos quanto um cruzador, se comparado seu armamento e desempenho.
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 Abaixo segue um diagrama com as principais classes de grandes navios de superfície em serviço na atualidade, assim como sua capacidade de defesa anti navio (verde), anti aérea (lilás) e ASW (amarela).
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mais sobre o assunto em:
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mísseis anti navio parte 1 (anti ship missiles part 1)

Em 1967, durante os conflitos no oriente médio, o destróier israelense Eilat foi afundado após um ataque com um míssil anti navio P-15 Termit de fabricação soviética, dispadaro de uma lancha de ataque, que significativamente é muito menor que um destróier.
míssil P-15 Termit sendo carregado em uma lancha de ataque
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Desde então os mísseis anti navio tornaram-se parte integrante das mais importantes armas nos arsenais de vários países mundo afora. Após o ataque a vários navios ingleses na Guerra das Malvinas, em 1982, com mísseis de fabricação francesa Exocet, os engenheiros navais se esforçaram em produzir sistemas de defesas anti míssil montados nos navios. Dentre esses sistemas, tem-se o canhão rotativo automático com radar próprio (CIWS), que pode disparar até 6000 tiros por minuto e os sistemas de mísseis anti-míssil, esses últimos com um alcance de cerca de 8 a 10 km.
 sistema CIWS Kashtan, com dois canhões com 6 canos de 30 mm cada,  produzido pela Rússia
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Com o desenvolvimento de novos sistemas de defesa, as marinhas também evoluiram com seus mísseis anti navio, hoje existem cerca de 25 modelos diferentes, desses os mais imoprtantes são os específicos, pois alguns tipos de mísseis anti aéreos também possuem uma capacidade limitada anti navio. Outros tem limitada capacidade, devido ao tamanho, ogiva e velocidade, sendo esses destinados a destruição de embarcações menores.
uma lancha de ataque norueguesa dispara um míssil anti navio Penguin
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Pode se determinar o desempenho de um míssil anti navio com uma soma de vários fatores, dentre eles o tipo de plataforma de lançamento (aérea, naval ou submarina), o alcance, precisão, ogiva (tipo e tamanho), velocidade, contra medidas defensivas e até o custo, porém um fator muito importante na maioria das vezes é esquecido, o poder de destruição. O potencial destrutivo de um míssil anti navio convencional (não nuclear) está diretamente ligado ao tamanho de sua ogiva e sua velocidade, pois quanto mais rápido e pesado for o míssil maior será sua carga cinética.
Acima, o USS Cole, destróier norte americano avariado após um ataque terrorista no ano 2000. Nesse ataque, uma lancha contendo explosivos se chocou contra o costado do destróier causando sua inutilização. O navio foi severamente avariado devido a quantidade, de 200 a 300 kg, de explosivos, porém não foi destruído, pois o explosivo não penetrou seu casco.
poder de destruição do míssil Harpoon de fabricação norte americana
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Quando um míssil se choca contra um navio, sua carga cinética faz com que o míssil penetre o casco e cause destruição, mesmo quando a ogiva não seja detonada, como ocorreu durante o conflito das Malvinas em 1982, quando um Exocet perfurou o casco de uma fragata inglesa causando um incêndio que finalmente levou o navio a pique. Um míssil supersônico de velocidade mach 2 terá o dobro da carga cinética de um míssil subsônico (mach 0,8 ou 0,9) se ambos possuirem o mesmo peso.
resultado do ataque de um míssil Exocet a fragata norte americana USS Stark no conflito com o Iraque
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Nessa 1º parte comentarei sobre alguns dos modelos de mísseis anti navio mais poderosos e utilizados pelo mundo afora, alguns mesmo que antigos, ainda fazem parte de muitas marinhas e outros que podem revolucionar a história do combate naval. Todos mísseis abaixo são lançados de plataformas marinhas, isto é, navios e submarinos:
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C-802/C-803 (YJ-82, YJ-83 Yingji) China
Derivado de um míssil YJ-82 disparado de areronaves, o míssil de fabricação Chinesa C-802 pode ser lançado de navios ou veículos terrestres.
O C-802 foi utilizado em situação real de combate em 2006 quando ativistas do Hezbollah dispararam o míssil a partir de um veículo terrestre contra a corveta israelense Hanit na costa de Beirute, durante o ataque ao Líbano. Apesar do míssil atingir o alvo e cumprir seu papel de inutilizar o navio, a ogiva de 165 kg não foi o suficiente para destruir a corveta de 1227 t, que após um tempo em reparação voltou a serviço ativo.
O C-802 pode ser classificado como um míssil pequeno, de baixa carga cinética, como o Exocet e o Kh-35 Uran, portanto é mais econômico e destinado a alvos de pequeno porte. Mesmo assim mostrou que o sistema norte americano CIWS Phalanx com um canhão de 6 canos de 20 mm é ineficaz mesmo contra mísseis subsônicos.
Acima, o C-803 a evolução do C-802, com uma velocidade de cruzeiro pouco inferior a seu antecessor, o C-803 tem um alcance 10% maior, porém o grande diferencial é que o C-803 pode atingir uma velocidade terminal de mach 2, o que duplicaria sua carga cinética resultando em um poder de destruição maior e evitando uma possível defesa por parte do navio alvejado.
o C-803 sendo lançado a partir de um navio chinês durante o período de testes
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O C-803 também difere-se de seu antecessor pelo fato de poder ser disparado não somente de navios e aeronaves, mas também por submarinos, isto é, de acordo com a imprensa chinesa. O modelo C-802 é utilizado por 8 países além da China e o C-803 somente pela China.
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Kh-35E Uran (URSS/Rússia)
Esse é o peso pena de nossa lista, pois dentre todos comentados é o menor míssil. A arma foi criada durante a era soviética e entrou em serviço em 1983. Como se trata de um míssil pequeno, muitas variantes foram produzidas, podendo ser lançado de qualquer tipo de plataforma exceto submarinos.
O desempenho geral do Kh-35E se assemelha ao do Exocet. A facilidade de instalação aliada a um baixo custo, faz com que o Kh-35 seja uma excelente opção a marinhas de menor porte mundo afora. Hoje a arma é utilizada pela VMF e por mais 5 países.
Acima um lançador quádruplo instalado no destróier russo Smetlivyy da Frota do Mar Negro.
 Atualmente encontra-se em testes o Kh-35UE que possui um alcance extendido para 260 km, a nova arma em breve estará equipando alguns navios da VMF.
Site oficial do fabricante: link

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SSM-700K Hae Sung (Coréia do Sul)
Criado em 1996 o SSM-700K é um míssil pequeno e barato, destinado a substituir super faturado Harpoon de fabricação norte americana contra os numerosos barcos de sua rival Coréia do Norte, que em geral são fragatas, corvetas e lanchas de ataque.
 Acima o SSM-700K, que entrou em serviço em 2006 é utilizado somente pela Coréia do Sul.
destróier sul coreano Sejong o Grande, equipado com VLS AEGIS
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O Hae Sung é lançado a partir de navios, com o sistema norte americano VLS AEGIS, o mesmo do Harpoon, utilizado em navios como o Sejong o Grande, na imagem acima.
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RGM/UGM-84 Harpoon (EUA)
O Harpoon é o míssil anti navio padrão dos EUA e de mais 27 países, dentre eles o Brasil, que utiliza a versão lançada por aviões, o AGM-84. O Harpoon com uma ogiva de 221 kg foi projetado para destruir embarcações de pequeno e médio porte, pode ser lançado a partir de aeronaves, veículos terrestres e submarinos.
 O Harpoon possui um sistema de trajetória incomum, pois ao se aproximar do alvo ele se eleva da altitude de vôo até uma altitude de onde ele possa atacar o alvo em uma trajetória balística. Teoricamente o efeito tem como finalidade aumentar o poder de penetração da ogiva e evitar um maior tempo de exposição aos sistemas CIWS.
Na prática o Harpoon que já foi disparado algumas vezes em guerras e em situações diversas, só obteve sucesso quando durante um exercício naval da US Navy nas proximidades do Havaí, um piloto de um F/A-18 disparou um Harpoon que atingiu um navio mercante indiano que passava dentro da área de exclusão. Como o míssil não continha ogiva, o navio não foi afundado, mas lamentávelmente o incidente causou a morte de um marinheiro do navio.
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RGM/UGM-109 Tomahawk (EUA)
O mais famoso de todos os mísseis cruzadores ganha recentemente um irmão mais novo, a versão anti navio lançada por navio (RGM) ou por submarino (UGM). Pouco é divulgado sobre a nova arma, mas mesmo com baixa carga cinética e velocidade subsônica, o Tomahawk anti navio sem dúvida é uma arma preocupante para todos os prováveis adversários da US Navy pois sem dúvida existe a possibilidade do míssil transportar uma ogiva nuclear.
 O Tomahawk antinavio transporta uma ogiva de 454 kg a uma distância de até 500 km com uma velocidade de 880 km/h e inicialmente é projetado para ser lançado a partir de navios e submarinos, mas futuramente também pode vir a ser lançada a partir de aeronaves.
De acordo com as limitadas informações do Tomahawk anti navio, o míssil possui um sistema de orientação final AESA e tecnologia stealth que permitem a aproximação furtiva. Com a ogiva convencional de 454 kg o Tomahawk pode destruir um porta aviões e uma frota naval interira com a termonuclear W80 de 150 kt.
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3M54 Klub (Rússia)
A mais nova arma do arsenal russo é a proposta a ser o míssil padrão para as forças armadas russas. Uma série de variantes encontra-se em produção e em desenvolvimento. Suas versões são muitas, podendo ser lançado de qualquer tipo de plataforma, do ar, do solo, do mar e submarino. O míssil possui versões anti navio, anti submarino e de ataque a alvos em solo.
 Acima o modelo 3M54E1, que possui um alcance de 300 km, velocidade de mach 0,8 e pode transportar uma ogiva de 400 kg, esse míssil tem a capacidade de atacar navios de médio porte até porta aviões.
 Similar ao Harpoon norte americano, o 3M54E possui uma velocidade de cruzeiro de mach 0,8, possui uma ogiva de 200 kg e um alcance de 200 km, a diferença do Harpoon está na velocidade de aproximação. O Harpoon mesmo em queda balística pode atingir o alvo em uma velocidade no máximo transônica, já o 3M54E tem uma velocidade terminal de mach 2,9, isto é, cerca de 3 vezes a velocidade de seu concorrente ocidental.
 O míssil Klub anti navio é o atual centro das atenções da US Navy no momento, pois nunca houve uma arma similar com o potencial de destruir um porta aviões e poder ser disparado de qualquer plataforma, inclusive pequenos e silenciosos submarinos convencionais, como a Classe 877 Paltus acima, da Indian Navy.
O 3M54E1 tem uma ogiva e um alcance cerca de 25% menores que o Tomahawk anti navio, porém devido ao maior peso, o 3M54E1 tem uma carga cinética 50% maior que seu rival, tornando-a uma arma extremamente poderosa e ao alcance de qualquer nação. Hoje somente a Rússia, Índia e Vietnã utilizam o míssil.
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RBS-15 (Suécia)
Sem sombras de dúvida esse míssil é uma conquista da tecnologia e capacidade sueca, que sempre esteve neutra em relação as super potências militares e que possui a sua própria capacidade em desenvolver armas.
O RBS-15 é uma arma que pode ser transportada por veículos terrestres, aeronaves e navios.
Seu desempenho geral equipara-se ao Harpoon, porém como emprega tecnologia 100% sueca, o modelo possui hoje somente 5 usuários e futuramente 6 com a chegada do caça multifunção JAS-39 Gripen encomendados pela Tailândia.
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P-15 Termit (URSS)
O P-15 Termit foi o primeiro míssil cruzador a ser utilizado contra um navio em situação real de guerra. Sua poderosa ogiva de 454 kg é o suficiente para afundar até os super porta aviões da US Navy, porém seu baixo alcance, baixa velocidade e suas grandes dimensões o tornaram obsoleto com o desenvolvimento de novos sistemas de defesa.
A China ainda produziu uma versão melhorada com alcance de até 200 km, que também é utilizada por alguns países, como a Coréia do Norte e o Irã. Atualmente 22 países ainda utilizam esse míssil.
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Otomat/Teseo (Itália)
O Otomat é o atual míssil anti navio da Marinha Italiana, apesar de seu desenvolvimento se iniciar na segunda metade da década de 60, o míssil ainda é utilizado por 11 marinhas no mundo.
Com um alcance de 180 km e uma ogiva de 210 kg, o Otomat é eficaz contra navios de pequeno e médio porte. Em algumas versões mais modernas, utilizadas apenas pela Itália, o alcance foi extendido com a utilização de dois foguetes impulsores e um booster.
 O Otomat é lançado a partir de embarcações de superfície, desde cruzadores como o Almirante Grau até lanchas de ataque como na foto acima.

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 P-120 Malakhit (Rússia/URSS)
O Malakhit é uma evolução direta do P-15 Termit, porém mais veloz, com maior alcance e com uma ogiva de 500 kg (10% maior).
O P-120 foi produzido pela URSS e atualmente é utilizado apenas pela Rússia em lanchas de ataque da Classe 1234 Ovod, duas versões foram produzidas, a anti navio com 120 km de alcance e uma anti submarino com um torpedo de 533 mm como ogiva e alcance de 70 km.
A VMF utiliza cerca de 20 lanchas de ataque Ovod para patrulha em águas costeiras e mares interiores.
Acima, durante a Guerra da Geórgia em 2008, um míssil foi disparado por uma Ovod russa contra uma corveta georgiana no porto da Abkházia.
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SM39/MM40 Exocet (França)
O mais notoriamente eficiente dentre todos os mísseis antinavio, o Exocet é utilizado por 30 países incluindo o Brasil.
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Desde sua estréia na Guerra das Malvinas em 1982 o Exocet se transformou em um ícone da guerra no mar, hoje ele é utilizado por 31 países incluindo a França e o Brasil.
lançador de MM40 Exocet na fragata brasileira Niterói
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O Exocet é um dos menores, mais lentos e com menor alcançe de nossa lista, destinado apenas a navios de pequeno porte, mas é barato, de fácil instalação em qualquer plataforma e principalmente, eficaz no serviço.
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Tabela comparativa
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