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domingo, 7 de agosto de 2011

Projeto 941 Akula (проекта 941 «Акула»)

Conhecido pelo mundo ocidental como classe typhoon, ou outubro vermelho, os submarinos do Projeto 941 Akula ganharam notoriedade mundo a fora por serem os maiores submarinos já construídos.
O Projeto 941 quando surgiu no início da década de 70, quando rumores sobre o projeto de uma nova e revolucionária classe de SSBN seria desenvolvida para a US Navy. O novo submarino teria um deslocamento superior aos SSBN em serviço na época, onde o maior, mais poderoso e avançado eram as embarcações do Projeto 667BDR Kalmar, com 16 SLBMs e 13700 toneladas de deslocamento submerso. 
Em meados de 1973/74, tanto a URSS como os EUA deram início aos novos modelos de SSBN, e em 1976 dois "monstros" estavam em construção, um nos Estaleiros da General Dynamics e outro nos Estaleiros Sevmash... a diferença começava aí, ambos com cerca de 170 m de comprimento mas um com mais de 3 vezes o deslocamento do outro...
O submarino soviético foi nomeado de TK-208 e o americano SSBN-726 Ohio. A classe americana foi pojetada com 24 tubos de lançamento de SLBM UGM-96 Trident I a ré da vela e 18750 t de deslocamento máximo, o TK-208 recebeu 20 tubos para lançamento do SLBM R-39 a vante da vela e possuía um delocamento máximo de 48000 t. A diferença absurda de deslocamento deve-se à maior largura do casco dos SSBN do Projeto 941.
Com a intenção de garantir a superioridade na categoria, na época mantida pelos SSBN do Projeto 667BDR sobre os americanos da classe Benjamin Franklin, o Projeto 941 visava ter mais ogivas, mais velocidade e maior autonomia submerso que qualquer projeto americano. Como o governo russo não sabia exatamente o que os EUA construíam, foi criado então um verdadeiro "monstro" para que independentemente de como fosse o SSBN americano o Projeto 941 ainda seria superior.
Em 11/11/1981 o USS Ohio entrava em serviço ativo na US Navy. Na mesma época, em um discurso ao PCUS o então premiê soviético Leonid Brezhnev disse << ...os americanos tem um novo submarino, o Ohio, com mísseis Trident I... um submarino similar está conosco...>>, então em 12/12/1981 o TK-208 foi comissionado pela Marinha Soviética.
O TK-208 possuía uma velocidade máxima submersa de 27 nós, porém velocidades de até 29 nós foram relatadas, apesar da divulgação oficial ser de 25 nós. O Ohio possuía uma velocidade máxima de 20 nós divulgada oficialmente, mas há relatos do submarino ter atingido 25 nós em picos máximos. Sendo assim, o TK-208 apesar de possuir uma lagura muito superior ao concorrente americano, ainda era mais rápido.
Em relação à autonomia submersa, o Ohio teve um aumento significativo em relação as classes anteriores, passado de 60 para 80 dias, já o TK-208 foi projetado para uma autonomia de 170 dias submerso, sendo assim, de longe o submarino de maior autonomia de todos, incluindo hoje, dentre os modelos atuais.
Comparando o armamento principal, o Trident I transportava até 8 ogivas de 100kt a uma distância máxima de 7400 km, o R-39 soviético possuia 10 ogivas de 200kt e alcance de 8250 km. Apesar dos Akula possuírem 20 ogivas a mais e mais que o dobro de potência em MT (megatons) que seu rival americano, o R-39 era um míssil extremanente grande e pesado (90t contra 33t do Trident), assim para sua recarga em mar aberto foi contruído o Alexadr Brykin (Projeto 11570), um navio especialmente criado para auxílio à classe Akula.
 Concepção artística do SSBN classe Akula sendo recarregado no mar
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Enquanto a produção da Classe Ohio seguia a todo vapor, a Marinha Soviética percebeu que a classe Akula por ser algo muito fora de padrão, assim como os cruzadores nucleares do Projeto 1144 Orlan, poderiam apresentar algum problema "não pensado" na década de 70, então como garantia tanto para o cruzador como para o SSBN foram projetadas naves similares com tamanho, deslocamento, armamento e principalmente custo menor. Sendo assim, em 1981 junto com a produção da classe Akula, iniciou-se a contrução dos SSBNs do Projeto 667BDRM Delfin, uma evolução do Kalmar, com 16 mísseis e 18200t de deslocamento. A idéia inicial seria que para cada Akula houvesse um Delfin. 
Um submarino Akula ao lado de um Delfin
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A produção do Ohio teve continuidade até 1997, quando 18 haviam sido costruídas. Com o colapso da URSS, a produção da classe Akula foi finalizada em 1989 e da classe Delfin em 1990. Ao total foram construídos 6 Akula e 7 Delfin, sendo que o último casco do Projeto 941 jamais foi terminado.
No período de crise da nova Rússia, pós URSS, a VMF (então Marinha Russa) teve um corte significativo no orçamento e todos os navios e submarinos em construção da época da URSS foram abandonados. O alto custo operacional dos Akula fez com que esses fossem retirados do serviço ativo quando deveriam serem reformados, isto é, a cerca de 15 anos após seu comissionamento. Alguns Akula tiveram até sua operacionalidade extendida além do previsto, como o TK-17 Archangelsk, que permaneceu 20 anos na ativa (na Marinha Soviética e VMF). A partir de 1996 os submarinos da do Projeto 941 foram colocados na reserva, gradualmente, sendo que o 2° foi em 1996, 3° em 1997, 4° em 1999, 5° em 2004 e 6° em 2006. Nessa época, o 1° da classe, o TK-208, então batizado como Dmitry Donskoy, havia sido retirado para reforma, pois era o mais antigo dentre os Akula, mas com baixo orçamento a VMF só pode concluir sua reforma em 2002, após 12 anos em "doca seca".
Dentre as reformas padrão (eletrônicos e reator), o TK-208 recebeu novos lançadores para o novo míssil em testes, o RSM-56 Bulava, pois todos R-39 já haviam excedido sua validade e não eram fabricados desde o colapso da URSS. Com a construção de uma nova classe de SSBN (Borei) a VMF optou por utilizar o TK-208 como plataforma de testes para o novo míssil. De setembro de 2004 a outubro de 2010 o Dmitry Donsky realizou 14 disparos do míssil Bulava. 
Disparo de um RSM-56 Bulava a partir do TK-208 à tona
Apesar de serem excelentes submarinos, a classe Akula mostrou-se onerosa demais para ser mantida em serviço na VMF, que mantém ainda ativos 4 667BDR Kalmar e 6 667BDRM Delfin, sendo que somente o TK-208 foi reformado e ainda permanece ativo. A US Navy atualmente opera 14 SSBNs da classe Ohio, com modernos mísseis Trident II (D5), pois 4 foram convertidos para o padrão SSGN tendo seus mísseis retirados e seus silos preenchidos com concreto para atender as limitações impostas pelo START.
Dos 5 submarinos do Projeto 941 retirados, 3 já foram demolidos e dois aguardam decisão do governo russo, o TK-17 Archangelsk e o TK-20 Severstal permanecem na reserva, ancorados do Estaleiro Sevmash. O futuro do TK-17 e TK-20 é incerto, porém eles jamais retornarão à VMF como SSBNs devido a introdução da nova e poderosa classe Borei a partir de 2012. Muitos especialistas e agências de notícias afirmam que ambos voltarão como SSGNs assim como a classe Ohio, mas tento em vista o conturbado assunto e o indeciso governo russo, tudo não passa de mera especulação.
 O "Dima" em 06/06 de 2011 saindo para o mar...
Pode-se afirmar com certeza que o TK-208 Dmitry Donskoy é o único remanescente ativo do Projeto 941 Akula.
 ...
Veja mais em:
Submarinos da Rússia

3 comentários:

  1. ¡Hola Flavio!
    Te envío unas fotos sobre este tema:
    http://img18.imageshack.us/img18/6875/b ... dvinsk.jpg
    http://img37.imageshack.us/img37/2782/941raden5militaryphotos.jpg
    Un Saludo.

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  2. Gostei da materia, eu me pergunto os motivos do BRASIL só ter (5) cinco subs e ñ investir + nessa arma tão letal e temerária, conhecendo a tecnológia ,dominando, a dos Type 209...214, eramos p ter uns 6/17 subs U-200 e alguma coisa em n mares, só 5 p patrulhar + de 8,5 milhões de km...é deboche ou os esse n subs valem cada por uns 20 dos outros tipo...+ eu sei q c certeza nunca será superior ao Amur 1850...e dizem q somos a 5ª econômia do planeta...alguém tá de sacanagem....trágico. Sds.

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  3. Essa máquina é realmente interessante e impressionante, mas cara demais para ser mantida por um país com a renda similar a do Brasil. Acho que para o Brasil, os submarinos diesel-elétricos dão conta da patrulha, mas deveria ter ao menos o dobro deles, já que somente metade permanecem em patrulha fora dos períodos de crise.

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