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sábado, 20 de agosto de 2011

Míssil Balístico

 Um ICBM Titan II norte americano. O Titan II que foi o maior míssil utilizado pelos EUA, foi retirado de serviço em 2003.
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O míssil balístico é a arma mais poderosa que uma nação pode possuir. No mundo de hoje, ter armas balísticas com ogiva nuclear garantem a segurança nacional, evitando assim possíveis conflitos com os EUA.
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Desenvolvimento
Primeiro míssil balístico no mundo, a temível V-2, da Alemanha Nazista, utilizada contra a Inglaterra no final da 2° Grande Guerra.
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O míssil balístico surgiu em 1942, na Alemanha Nazista, em plena 2° Guerra Mundial. A arma descartável substituiria os bombardeiros lançando uma carga de 1.000 de explosivos sobre Londres. Com uma velocidade entre 2.900 a 5.800 km/h, a V-2 era impossível ser interceptada em vôo, diferente dos bombardeiros, que eram alvos fáceis de caças e artilharia anti aérea.
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 Wernher von Braun
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A V-2 foi desenvolvida pelo engenheiro alemão Wernher von Braun, que no final da guerra foi capturado pelos Estados Unidos e lá iniciou o desenvolvimento de várias armas balísticas. Algum tempo depois, já na época da Corrida Espacial, von Braun se tornou o "pai" do programa espacial norte americano . Assim como os EUA, a URSS na época também capturou alguns mísseis V-2 e cientistas alemães ligados ao projeto. Com a ajuda do também engenheiro e projetista soviético Sergey Korolev, a URSS começou juntamente com os EUA a desenvolver mísseis balísticos.
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Como funciona
O míssil balístico é um foguete de estágios, assim como os foguetes espaciais, porém sua carga não são astronautas e sim ogivas (bombas). Na ilustração acima, os estágios do lançamento de um míssil balístico: no chão (1), o míssil é uma peça única, composta de um (ou múltiplos estágios) e uma (multiplas) ogiva (s); o primeiro estágio (A) fornece a propulsão para o míssil levantar vôo; que é liberado logo em seguida (2). O míssil sai da atmosfera (3) utilizando-se do impulso do segundo estágio (B). Para seguir caminho (4) até o alvo, é utilizado o terceiro estágio (C), que impulsiona o carregador (D) de ogivas pelo espaço (5). Quando as ogivas estão posicionadas (6) para a reentrada (7), a tampa (E) é liberada, permitindo que as ogivas atinjam assim seus alvos (8).
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Ogiva (carga explosiva)
A ogiva do míssil é o equivalente a uma bomba aerotransportada, porém no lugar do avião, o veículo de transporte é o míssil balístico. 
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As ogivas podem serem classificadas quanto a sua carga e quanto a seu tipo de reentrada (na atmosfera). Quanto à carga, a ogiva pode conter um explosivo de alta potência , do tipo TNT ou nuclear, assim como pode transportar contaminantes ambientais, como armas químicas e biológicas.
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Reentrada de ogivas na atmosfera terrestre
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Quanto à reentrada, as ogivas são descritas como RV (reentry vehicle) em caso de ogiva única, MRV em caso de múltiplas (multiple reentry vehicle), MIRV em caso de reentrada independente e MARV em caso de reentrada manobrável. As ogivas do tipo MRV, costumam atingir o mesmo alvo ou uma área muito próxima dele, as MIRV são independentes umas das outras, podendo atingir vários alvos diferentes e as MARV possuem capacidade de manobra para evitar sistemas de defesa anti míssil.
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Classificação dos mísseis balísticos
Acima, um ICBM Minuteman da USAF dentro de um silo endurecido.
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Os mísseis balísticos podem ser classificados de acordo com sua plataforma de lançamento e de acordo com seu alcance.
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Alcance
O alcance dos mísseis balísticos atuais variam de poucos quilômetros até cerca de 14 ou 16 mil quilômetros, sendo classificados como:
-Táticos: até 300 km de alcance;
-SRBM - short range ballistic missile - curto alcance, entre 300 a 1.000 km;
-MRBM - medium range ballistic missile - médio alcance, entre 1.000 a 3.000 km;
-IRBM - intermediate range ballistic missile - míssil balístico de alcance intermediário, entre 3.000 a 5.000 km;
-ICBM - inter continental ballistc missile - míssil balístico intercontinental, com alcance  superior a 5.000 km.
Base de lançamento
 Submarino russo TK-208 Dmitry Donskoy dispara um SLBM Bulava
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O míssil balístico se classificado de acordo com a plataforma de lançamento, são divididos em:
-Plataforma fixa: silo endurecido subterrâneo ou plataforma de lançamento;
-Plataformas móveis: veículos ou submarinos
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Desde a época da Guerra Fria, os mísseis balísticos (SLBM - submarine launched ballistic missile) vem sendo implantados em submarinos. A URSS fez o primeiro lançamento de um míssil balístico à partir de um submarino em setembro de 1956, os mísseis balísticos passaram de bases terrestres para submarinos, e a partir daí também surgiram versões lançadas por veículos.
 A plataforma mais estranha de todas para o lançamento de um ICBM foi um trem criado na época da URSS. Tanto o sistema como o míssil RT-23 já estão aposentados, mas sem dúvida é uma idéia diferente, criada para burlar os satélites espiões, que localizam com facilidade silos e bases terrestres.
Com 10 ogivas MIRV de 150 a 250kt de rendimento, o RT-23, acima, podia atingir alvos a 11.000 km do ponto de lançamento, todos RT-23 foram retirados de serviço em 2008.
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ICBM Taepodong II da Coréia do Norte montado na plataforma de lançamento.
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Quanto à sobrevivência dos ICBM, uma plataforma de grande mobilidade é muito mais difícil de ser vista, localizada e destruída em caso de guerra. Bases fixas externas, como as usadas pelo Paquistão, Israel e Coréia do Norte, são facilmente localizadas por qualquer avião de ataque ou UAV (veículo aéreo não tripulado).
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Potencial de destruição
O R-36 com 10 MIRV de 750 kt é utilizado pela Rússia (acima) sendo hoje o ICBM com maior poder de destruição em massa.
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Levando em consideração a bomba Little Boy, lançada em Hiroshima em 1945, com rendimento de 16kt, é possível calcular o poder de destruição dos ICBM caso venha a serem usados em uma guerra. Dentre os de maior poder de destruição podemos citar:
R-36M2 Voevoda, Rússia, 10 ogivas de 750 kt = 470 vezes mais possante que a bomba de Hiroshima;
2° DF-5, China, 1 ogiva de 5.000kt (5mt) = 312 X Hiroshima
3° Trident II, EUA, 8 ogivas de 475kt = 237 X Hiroshima
UR-100N, Rússia, 6 ogivas de 550kt = 206 X Hiroshima
5° DF-4, China, 1 ogiva de 3.300kt = 206 X Hiroshima
6° DF-31, China, 20 ogivas de 150kt = 187 X Hiroshima
7° R-29RMU2, Rússia, 12 ogivas, rendimento não divulgado, mas provavelmente de 250kt cada;
8° DF-41, China, 10 ogivas com rendimento de até 250kt cada;
9° Topol-M, Rússia, 7 ogivas de 250kt = 109 X Hiroshima
10° Minuteman III, EUA, 3 ogivas de 475kt = 89 X Hiroshima
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Quem tem hoje ?
Acima um ICBM KN-8 da Coréia do Norte
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Nove da 206 nações do mundo possuem armas nucleares e mísseis balísticos para lançá-las. Desses nove, cinco possuem armas em grande quantidade, a Coréia do Norte, a Índia, o Paquistão e Israel possuem apenas alguns mísseis e poucas ogivas.
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Defesa
Anti míssil russo Novator 56T6
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Tanto a Rússia como os EUA possuem alguns modelos de anti míssil disponíveis, porém os mísseis balísticos atuais não são lentos como o R-11, codinome OTAN "Scud", usados pelo Iraque na Guerra do Golfo de 1989. O R-11 ou "Scud", como ficou conhecido pela população brasileira, é um míssil balístico de 1957, que pode atingir uma velocidade de mach 5.
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Alguns mísseis "Scud" usados pelo Iraque foram abatidos em vôo pelo anti míssil MIM-104 Patriot, também de mach 5. Hoje os ICBM voam em velocidades variando de 20.000 a 28.000 km/h, e os anti mísseis como o Novator 56T6 acima a 11.000, seu similar norte americano, o RIM-161 Standart III pode chegar a uma velocidade máxima de 8.200 km/h.
Acima o destróier da Marinha Norte Americana DDG 62 Fitzgerald dispara um anti míssil RIM-161 Standart III.
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Em teoria é possível abater um ICBM no apogeu de sua trajetória, contudo é importante ressaltar que isso é apenas "teoria". Estatisticamente falando, o anti míssil Patriot, de mesma velocidade do SRBM R-11 ("Scud"), teve uma taxa de eficiência na casa dos 50 a 80%, levando em consideração esses dados, hoje o anti míssil voando a metade ou 1/3 da velocidade do ICBM, tem baixíssima probabilidade de eficácia.
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  video
 Acima o vídeo do lançamento de um ICBM UR-100N russo
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