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sábado, 23 de julho de 2011

Tupolev Tu-95MS

Conhecido por sua aparência "velha" e "obsoleta", o Tu-95MS engana muita gente, principalmente pessoas que desconhecem a máquina e a julgam como uma velharia militar como as aeronaves que o Brasil lamentavelmente utiliza.
 O Tu-95 teve seu primeiro vôo em 12/11/1952 e entrou em serviço na VVS em 1956, desde então ele vem sendo melhorado até sua última versão, o Tu-95MS, operacional na VVS desde 1981. Sua função é atuar como bombardeiro estratégico, isto é, uma aeronave capaz de trasportar mísseis cruzadores a distâncias além dos 5000 km de sua base.
 Atualmente a VVS opera cerca de 60 a 65 aeronaves desse tipo, que permanecerão em serviço até 2040. A USAF opera também duas aeronaves similares em desempenho, o B-52H Stratofortress e o B-2 Spirit, a China tem o Xian H-6 que mesmo menor e de desempenho inferior também tem como mesma função básica a de ser um vetor de mísseis estratégico.
 A VVS opera o Tu-95MS a partir de três bases aéreas, são elas: Dyagilevo, em Ryazan próximo a fronteira européia; Ukrainka, na região de Amur, próximo a fronteira com a China e conseqüentemente  próximo ao Oceano Pacífico e Japão e Engels próximo a Moscou (também próximo a fronteira européia). Entretanto nada impede de que tais aeronaves sejam operadas a partir de outras bases mais próximas a regiões desejadas, como já aconteceu de serem operados a partir de Semipalatinsk no Cazaquistão, próximo ao Paquistão e Afeganistão.
Esquadrão de Tu-95MS na base aérea de Engels
 O modelo 95MS que a VVS opera atualmente foi produzido de 1981 a 1990, tendo sua produção encerrada com a queda da URSS, onde tais aeronaves eram comumente vistas nos oceanos Pacífico e Atlântico norte, porém na época não operavam armas de grande eficácia. Muitos analistas afirmam que sua função básica serviço da URSS (na época) era o teste da velocidade de reação (detecção, inteceptação, etc) de países da OTAN. Em 1984 a VVS começa a testar um novo míssil similar ao americano ALCM e Tomahawk, o Kh-55, que de início tinha um alcance de 300 km, ainda pequeno para ser realmente eficiente em uma situação real de guerra. Três anos depois versões melhoradas do Kh-55 foram desenvolvidas com alcances de 600 km para ogivas convencionais e 2500 km para ogivas nucleares, assim o Tu-95 MS tornou-se uma ameaça a ser considerada pelos EUA.
 Hoje o Tu-95MS entra nas limitações impostas pelo tratado de redução de armas de destruição em massa o START, que está em vigor atualmente. O Tu-95MS armado com mísseis Kh-55 tem capacidade para destruir quase todos alvos de grande importância para os EUA, tanto quanto para a Europa e Asia.
 A vantagem de operar uma aeronave estratégica de grande porte é sua capacidade de realizar missões em condições adversas. como neve, chuva e tempestades, situações que um ataque a partir de porta aviões é bem mais complicado, tanto quanto a operação de aeronaves táticas, menores e de menor potência e alcance.
 Os testes do Tu-95MS com novas armas e sistemas se iniciaram em meados dos anos 2000, porém como o orçamento da VVS ainda estava baixo, suas operações foram limitadas até 2007 quando o então presidente Vladimir Putin anunciou a volta das patrulhas oceânicas com esse tipo de aeronave. No mesmo ano os Tu-95MS foram vistos ao longo da costa Britânica, em águas internacionais próximos as Ilhas Hébridas e no Oceano Pacífico perto da base militar norte americana em Guam. O mais notável incidente foi entre 9 e 10 de fevereiro de 2008, quando quatro Tu-95MS decolaram da base de Ukrainka com direção ao Oceano Pacífico, durante 3 minutos as aeronaves violaram o espaço aéreo japonês, porém seu objetivo principal não era o teste da velocidade de reação do Japão (que foi inexistente), mas o teste da reação da 7° Frota da US NAVY baseada no porta aviões CVN-68 Nimitz que estavam em missão operacional no Pacífico. De acordo com fontes da US NAVY os Tu-95MS foram detectados a 800 km da frota americana, porém a interceptação dessas aeronaves só ocorreu a 80 km da frota, isto é, tanto a detecção e a interceptação foram realizadas dentro do alcance dos Kh-55 transportados pelo Tu-95MS. Mesmo sendo interceptados por aeronaves F/A-18E da US NAVY, os Tu-95MS permaneceram em mesma rota até sobrevoarem o porta aviões norte americano.
Devido a sua operação de longa data, o Tu-95MS se mostrou uma aeronave confiável para missões em qualquer tempo a longas distâncias e grande permanência no ar. Mas com o final do mandato Bush, a iminente ameaça militar a Rússia também acabou, então a partir de 2009 os vôos em águas internacionais cessaram porém os testes internos ainda continuam. Em 30/07/2010 aeronaves Tu-95MS participaram de um exercício militar onde voaram ininterruptamente por cerca de 55000 km com quatro reabastecimentos aéreos, mostrando ao mundo sua imensa capacidade como arma estratégica.
O Kh-55 muito similar ao americano ALCM foi aperfeiçoado para ter um maior alcance, chegando assim aos 3000 km, sendo 20% maior que os ALCM, gerando assim a necessidade da USAF desenvolver uma nova arma, o AGM-129 ACM, com alcance de 3700 km, isto é, mais capaz que a russa.
O Kh-55 é transportado em carregadores rotativos em uma baia ventral livrando assim as asas e a fuselagem do volume dos mísseis, que geram um grande arrasto aerodinâmico, diminuindo a velocidade e alcance dessas aeronaves.
Em resposta ao desenvovimento americano do AGM-129 ACM, a Rússia mostro em 2010 seu novo míssil o suposto Kh-555, com alcance de 3 a 5 mil km, porém como os americanos, o míssil não é compatível ao tamanho da baia interna das aeronaves operacionais, portanto devem ser transportados em cabides sobre as asas. Não existe ainda a confirmação da operacionalidade da nova arma, mas é bem provável que como o AGM-129 ACM tenha um uso limitado, pois dos 2200 mísseis cruzadores estratégicos impostos pelo START aos EUA, somente 460 são AGM-129 e são operados somente pelos B-52H em cabides externos nas asas.
A capacidade do Tu-95MS foi relatada oficialmente pelo porta voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA Sean McCormack quando em nota oficial disse "...essas aeronaves se encontram em excelente estado de conservação..." e "...são uma grande ameaça particular...", também foi dito que "...o Pentágono observa e analisa a situação..."
O medo americano causado pelo "Bear" codinome dado pelos EUA ao Tu-95MS ainda é fato, pois quanto mais demonstram não temer, fica mais claro que o Tu-95MS ainda é uma grande ameaça. O almirante James Vinnefelda chefe do Comando da Defesa Aerospacial dos EUA disse em pauta oficial sobre os vôos do Tu-95MS próximo a fronteiras do Alasca, Canadá e EUA "...Isto é como a ilusão de poder, onde o poder não é qualquer. Eles tentam mostrar ao mundo que eles são uma nação poderosa, mas não damos-lhes a satisfação..."
Observando a foto acima e sabendo que o Tu-95MS foi incluso no Start, fica visível a veracidade das informações norte americanas, como disse o almirante "... mas não damos-lhes a satisfação..." da frase acima ...

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