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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sevmash recebe o Smolensk para reforma

O SSGN K-410 Smolensk é retirado para reforma no estaleiro Sevmash - Severodvinsk.
O Smolensk é um dos 9 submarinos nucleares de míssil guiado (SSBN) do Projeto 949A Antey ativos na VMF. Da mesma classe fazia parte o malfadado Kursk. A Classe Antey foi projetada em 1969, tendo em vista que a capacidade de perseguição e destruição de uma frota (força tarefa) americana estava ultrapassada com o super porta aviões CVN-65 Enterprise e a construção da nova classe Nimitz, também de super porta aviões de propulsão nuclear.
A idéia de tranportar mísseis em quantidade o suficiente para um ataque de saturação, grande velocidade submersa silenciosa, capacidade de patrulha submersa de longa distância e resistência em condições de batalha resultou em um monstro sem precedentes. A Classe Antey ainda hoje é a que possui os maiores submarinos no mundo, o deslocamento submerso dessas máquinas chega a 23860 toneladas.
O novo submarino teve o papel de incorporar a Marinha Soviética uma capacidade até então limitada de perseguição e destruição de um grupo de batalha da US NAVY evitando suas defesas, como os SSN da Classe Los Angeles. Os SSGN anteriores Projeto 659 (5 submarinos) e Projeto 675 (29 submarinos) possuíam 8 mísseis P-5 Pyatyorka, com capacidade o suficiente para destruir uma frota da US NAVY, porém sua deficiência estava na limitada resistência submersa (50 dias), profundidade limitada a 300m, velocidade de 22 nós e um casco relativamente ruidoso, deveriam ser substituídos com urgência.
Assim foi desenvolvido um novo míssil, o P-700 Granit, com 2,5 vezes e meia a velocidade do som, alcance de 550 km e ogiva nuclear de 500 kt para incorporar ao novo submarino do Projeto 949, que inicialmente teve dois barcos construídos e sucedidos pela construção do 949A, o qual fazem parte os SSGN em serviço atualmente na VMF.

Diagrama comparativo da Classe Antey com os demais submarinos de ataque em serviço atualmente.
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Seu desempenho submerso chegou a 120 dias de patrulha, velocidade de 32 nós e profundidade máxima de 600 metros. Armados com os novos torpedos supercavitantes VA-111 Shkval, os SSGN da Classe Antey são superiores até aos seus "caçadores" da Classe Los Angeles.
O resultado foi uma encomenda inicial de 18 monstros dessa classe, sendo que sua produção foi interrompida com o colapso da URSS, com 11 concluídos no total, desses o malfadado Kursk que foi perdido em acidente, o Krasnodar que foi demolido e o Krasnoyarsk descomissionado e inativo em Vilyuchinsk na Península Kamchatka. Dois cascos inacabados apodrecem dentro dágua em no estaleiro Sevmash e um, o Belgorod, está dentro do estaleiro 80% concuído e inacabado a mais de 10 anos. Com a introdução da nova classe de SSGN a Yasen os Antey serão substituídos aos poucos, por um submarino mais econômico e silencioso, portanto o término do Belgorod ainda é duvidoso.
Desde a perda do Kursk os SSGN da Classe Antey vem sendo reformados, alguns com muito atraso, como o K-119 Voronezh que foi recentemente re-introduzido a Frota do Norte, que levou 5 anos a ser reformado. A previsão é que a reforma do Smolensk leve 3 anos, sendo que o submarino deve estar pronto até o final de 2014 para ser entregue a VMF.
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Mais sobre a classe Antey em:
Submarinos da VMF
Top 10 submarinos de ataque

domingo, 27 de novembro de 2011

Tupolev Tu-22M3 Highlights

















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Características: Tupolev Tu-22M3
tipo: aeronave de ataque supersônica
ativo na VVS desde: 1984
velocidade máxima: 2300 km/h
alcance: 7000 km 
armamento: bombas e mísseis ar superfície
usuários: 124 aviões na VVS e  cerca de 50 na AVMF, no total as forças armadas da Rússia mantém cerca de 90 na reserva. A partir de 1989, 12 Tu-22M3 foram convertidos em aeronave de reconhecimento e 3 para ELINT (escuta eletrônica).
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mais sobre o Tu-22M3 em:

Chegada do inverno em Severodvinsk

O inverno no Mar do Norte é muito rigoroso, tão rigoroso que não permite a continuidade dos testes em mar do Bulava e dos novos submarinos da VMF, sendo assim todas as máquinas retornam o Estaleiro Sevmash:
Dimitri Donskoy e ao fundo o porta aviões Vikramaditya
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Mais sobre os submarinos da Rússia:
Submarinos da VMF

sábado, 26 de novembro de 2011

Projekt 667BDR Kalmar

Os SSBN da classe 667BDR Kalmar iniciaram suas operações na Marinha Soviética em 1976, o projeto teve como finalidade superar qualquer outro submarino existente no mundo, seu desenvolvimento foi a partir do Projekt 667BD Murena-M, que já estava operacional nessa época. Atualmente os 3 sobreviventes da classe são os submarinos nucleares mais antigos em serviço.
A característica marcante em todos os SSBN do projeto 667 é a proeminente "seção de mísseis" que se estende acima do casco. Para superar o arrasto hidrodinâmico causado pela imensa protuberância, a classe Kalmar foi equipada com dois eixos e dois reatores nucleares, com duas poderosas turbinas, o submarino tem um total de 60.000 shp e velocidade submersa de 24 nós. Apesar do formato estranho, todos os submarinos da classe 667 não foram prejudicados na velocidade, sendo similares ou até mais velozes que seus concorrentes ocidentais.
Curiosamente todos SSBN do projeto 667 possuem o estabilizador na vela, como os Ohio americanos. Os submarinos russos tem como característica a navegação abaixo do gelo, portanto o estabilizador é retrátil, no casco e sempre próximo à proa, a vante da vela. Isso facilita em situações como a da foto acima, onde o submarino deve quebrar a "casca" de gelo para poder subir à tona.
É complicado dizer sem dados a espessura do gelo que os SSBN da classe Kalmar podem quebrar, mas pela foto, mesmo com os lemes na vela, certamente a placa chega a ter mais de 2 metros de espessura.
Ao todo foram construídos 14 submarinos desse tipo, após a sua 1º reforma, um deles foi convertido para missões especiais e teve seu compartimento de mísseis retirado. Desses 13 restantes, 7 foram eliminados devido ao tratado de redução de armas estratégicas de destruição em massa, assinado entre os EUA e Rússia, os outros 6 foram reformados e receberam novos mísseis para torná-los tão letais como qualquer submarino atual.
Inicialmente cogitou a desativação de todos os Kalmar, porém devido a seu custo operacional mais baixo e facilidade de manutenção, os 6 submarinos mais novos receberam tal reforma também para substituir os gigantes Akula, que após o fim da URSS, se mostraram caros demais para serem mantidos em serviço.
Apesar de serem os menores SSBN russos, os Kalmar possuem tamanho e deslocamento similar à classe Vanguard inglesa, sendo assim maiores que os SSBN chineses e franceses. Com um deslocamento submerso entre 13.000 a 16.000 toneladas, a classe Kalmar está hoje entre os 10 maiores submarinos do mundo.
Das seis unidades restantes, três ainda permanecem em serviço, sendo eles: K-433 São Jorge o Vitorioso, K-223 Podolsk e o K-44 Ryazan. Desses, o Ryazan foi o único a receber uma segunda reforma em 2007, o que lhe confere uma vida útil até 2017, os outros dois inicialmente não serão retirados com o comissionamento dos novos SSBN da classe Borei.
Acima, o K-433 São Jorge o Vitorioso ou Святой Георгий Победоносец em russo é visto durante sua reforma em doca seca.
O armamento principal dos SSBN da classe Kalmar são 16 mísseis da família R-29 Vysota, sendo eles: *R-29R com 3 x MIRV (200kt cada) alcance de 6500 km;
*R-29RK com 7 x MIRV (100kt cada) alcance de 6500km;
*R-29RL com 1 x MRV (450kt) alcance de 9100km.
Os mísseis R-29 são transportados à ré da vela e podem serem lançados submersos em sequência ou individualmente. Em 30/10/2010 um míssil R-29 foi disparado do Mar Branco e atingiu com sucesso os alvos no polígono de tiro da Península de Kura.
Um SSBN da classe Kalmar navegando com os 16 silos de mísseis abertos.
Apesar de antigos, os três SSBN da classe Kalmar são a espinha dorsal da Frota Russa do Pacífico, podendo desencadear um ataque maciço contra os EUA, destruindo toda costa leste e região central desse país.
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tipo: SSBN 
data do projeto: 1974 
operacional desde: 1979 (Podolsk) 
total produzido: 14 
efetivo ativo na VMF: 3 
comprimento: 155,10 m 
boca: 11,70 m 
deslocamento submerso: de 13500 a 16000 t dependendo do submarino 
velocidade máxima: 24 nós 
profundidade de mergulho: 320 m 
propulsão: 2 eixos, nuclear 
autonomia submerso: 90 dias 
tripulação: 130 
situação atual: os 3 permanecem ativos sem previsão de aposentadoria, de acordo com o último comunicado oficial

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ilyushin Il-96 400T

Derivado do Il-86 que operou no Brasil de meados dos anos 80 aos anos 90, o Il-96 400T é uma versão de fuselagem alongada do Il-96 300. O modelo 300 é usado para transporte civil e VIP pelo governo e por algumas companhias aéreas russas e pela Cubana.
 O Il-96 400T é a versão cargueira do proposto Il-96 400 que nunca entrou em serviço. Com uma capacidade de carga de 92 toneladas e alcance máximo de 12000 km, hoje o Il-96 400T é a única aeronave de transporte e carga civil de categoria similar ao Boeing 777 e ao Airbus A330. Também é a única aeronave construída fora do monopólio das indústrias Boeing e Airbus com capacidade de vôo intercontinental.
 Suas encomendas não suprem o custo de uma linha de produção, portanto eventualmente a Ilyushin lança uma aeronave dessas, ou para o governo e companhias estatais, ou para a Polet Airliners, que atualmente é a maior operadora do modelo 400T.
 Dentre todas aeronaves de transporte civil já produzidas na URSS e na Rússia, o Il-96 400T é o maior e de melhor desempenho, sem dúvida um trunfo da aviação russa, pois é uma aeronave de porte e desempenho muito próximo de seus concorrentes ocidentais e com tecnonogia 100% russa. Talvez esse seja seu maior problema relacionado a aceitação no mercado das companhias aéreas do mundo.
Sua tecnologia é tão avançada como dos modelos ocidentais, porém destinada a pilotos e ao limitado mercado russo, onde como aqui no Brasil a maior parte das aeronaves de grandes companhias são de propriedade de empresas que utilizam o "leasing".
 Devido aos aviônicos e motores, hoje o Il-400T é operado além da Polet Airliners, pela Atlant Soyuz, como o avião da foto acima.
Em meados do ano de 1993, a Ilyushin Aviation Complex Aircraft mostrou um protótipo com motores norte americanos Pratt & Whitney como uma tentativa para melhor aceitação da aeronave por companhias aéreas ocidentais.
 Porém devido a uma série de problemas na relação entre as empresas tanto da Rússia como dos EUA o programa Il-96M, como era chamado esse protótipo, foi encerrado. Em 2003 o já dado como morto ressurge como Il-96 400 já com motores russos Aviadvigatel PS-90A1.
Mesmo assim a proposta não agradou as companhias aéreas e agora o Il-96 400 está encostado e sem seus motores... Com a imprevisibilidade dos fabricantes de aeronaves russos, ainda é provável que a aeronave receba novos motores e voe novamente. Mesmo assim a versão de carga 400T ainda continua em produção.
Ainda com baixas encomendas o Il-96 400T em linha de montagem.



Em 31 de outubro de 2011 o novo Il-96 400T sai do hangar para testes na pista.
Em 17 de novembro de 2011 o vôo inaugural.

O destino desse avião é a companhia russa Polet Airliners.
É bem provável que o modelo não supere seus concorrentes ocidentais em encomendas, mas o Il-96 400T ainda não é página virada na História da Aviação Mundial.
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